Vivemos em uma sociedade muito diversa, onde cada ser é único em sua composição genética, escolhas e decisões. E  aprender a conviver com essa diversidade começa ainda dentro da própria família, onde a apreciação pelas diferenças e similaridades torna-se central para uma convivência saudável, tanto no íntimo familiar, como também em uma sociedade tão diversa e, por isso, interessante.

Um bebê ainda não sabe as diferenças e as similaridades de cada pessoa. Mas começa a conhecer o mundo através dos cinco sentidos: visão, tato, audição, olfato e paladar. A família é a primeira referência para a criança, que aos poucos vai expandindo a exploração para outros ambientes. Neste primeiro momento, é muito importante que a família, dentro da sua própria rotina, apresente à criança a cultura, as tradições e os valores daquele ambiente, para que ela sinta que pertencente a um grupo.

Com cerca de 18 meses, a criança começa a se comparar e a notar como se parece e também como se diverge dos outros. É quando a criança começa a entender as diferenças entre os sexos, que os sons de comunicação podem ser diferentes, que um usa óculos e outro não, etc. Com 3 anos o desenvolvimento cognitivo e emocional faz com que as crianças já consigam perceber as diferenças culturais e físicas com mais detalhes e também passam a se interessar mais sobre a própria cultura, como uma forma de apreciação. É também nessa fase de desenvolvimento que começam as perguntas sobre o “por quê” das diferenças. Questões essas que, muitas vezes, os pais não sabem como responder, mas que, podem ser respondidas exatamente como foram perguntadas: sem a necessidade de muitos detalhes. As perguntas demonstram exatamente o que a criança quer saber e responder nessa medida já é o suficiente, muitas vezes, para se alinhar às expectativas da criança. 

O respeito pelo outro começa a partir do conhecimento e do respeito pela própria cultura e pelas outras culturas. E, neste sentido, algumas habilidades podem ajudar na aceitação do diferente, tais como aprender a ouvir o outro com genuíno interesse, saber conversar e colocar seu ponto de vista usando uma forma de se comunicar onde não haja violência (CNV) ou disputa, buscar pensar de forma justa e equânime, trabalhar para entender onde estão seus preconceitos e como desconstruí-los, sobretudo, na hora de repassar seus valores e conceitos para os seus filhos.

O papel dos pais é mostrar a própria cultura e expor a criança a uma variedade de diferentes culturas e ambientes mostrando que existe espaço para todos. O convívio com outras famílias também vai ajudar a criança a entender que as pessoas podem pensar e agir de forma diferente e devem ser respeitadas nas suas escolhas e individualidades. Viagens e artes, de forma geral, também ajudam a expandir o mundo da criança.

O mais importante é que todos possam conviver em uma sociedade que oferece tantas possibilidades e diferenças, como todos nós temos o direito de escolha.

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