Muito se fala na comunidade científica, entre profissionais de saúde e sociedade sobre a importância da amamentação exclusiva até os 6 meses do bebê e complementar até os dois anos. Mas, e se uma mãe e a criança, decidirem prolongar essa amamentação para além dos dois anos, há algum impacto negativo na saúde e na nutrição dessa criança? Ela ficará dependente da mãe?

Após os dois anos de idade, o leite materno garante em seus 500ml:

  • 45% das necessidades de vitamina A;
  • 95% das necessidades de vitamina C;
  • 38% das necessidades de proteínas;
  • 31% das calorias/energia.

E ainda tem uma longa lista de outros benefícios. Veja:

  • Menor risco de desenvolver alergias ao leite de vaca;
  • Melhor sistema imunológico;
  • Promoção da segurança e do fortalecimento emocional;
  • Prevenção da Obesidade Infantil;
  • Proteção contra infecções respiratórias, entre outras
  • Promoção de uma melhor nutrição
  • Diminuição do risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes
  • Favorecimento  da capacidade cognitiva
  • Melhora no desenvolvimento da cavidade bucal

(Fonte: Dados do Ministério da Saúde)

Por mais incrível que se pareça, o prolongamento da amamentação para além dos três ou mais anos, pode ser mais prevalente do que se imagina. Muitas mães não falam com as outras pessoas sobre ainda amamentarem a criança “mais velha”, com receio dos comentários negativos e apontamentos de que o desmame já deveria ter ocorrido.

“O estigma social em relação a essa prática pode se ampliar conforme a idade da criança aumenta (Kendall-Tackett & Sugarman, 1995; Mortensen & Tawia, 2013)”.

Como nutricionista e mãe, vejo e incentivo o empoderamento das mães que optam pela amamentação exclusiva até 6 meses e prolongada até onde elas desejam ir, se livrando dos conceitos estabelecidos por familiares, pessoas conhecidas e até desconhecidas. Penso que uma mãe deve usar seu instinto materno para fazer o que é de melhor ao seu filho. E, se deseja amamentá-lo além dos dois anos, somente está contribuindo para sua saúde nutricional e emocional. É triste pensar que muitas escondem o ato por conta da opinião da sociedade e, assim, acabam não incentivando outras mamães a permanecerem lactantes, mesmo quando há desejo.

Para finalizar, pensando nesses dias tão difíceis que temos vivido por conta da pandemia, vale dizer (ainda de acordo com Santiago) que a amamentação continuada também contribui para a saúde da criança com fonte de nutrientes e de proteção contra doenças infecciosas e metabólicas, tendo em vista que ele contém antioxidantes, hormônios e fatores de crescimento, com atividade biológica relacionada ao desenvolvimento, à regulação metabólica e à inflamação. Ou seja, se há o desejo de mãe e filho em manterem a amamentação prolongada, livrem-se de preconceitos e sigam em frente!

Com carinho,

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