A imagem que a criança tem de si mesma, construída a partir de aspectos psicológicos e físicos, está relacionada com sua autoestima. Ainda na primeira infância, a concepção que os pequenos constroem sobre eles tem reflexo até na vida adulta. Por isso, pais e mães devem estar atentos aos sinais que os filhos e/ou filhas apresentam, principalmente quando os adultos desconfiam que há uma baixa na autoestima infantil. 

“Explicando de uma forma simples, a autoestima é a opinião que temos de nós mesmos e ela é desenvolvida desde o nascimento, por isso é tão importante que os pais saibam disso para ajudar seus filhos nesse desenvolvimento”, orienta a psicóloga  infantil Renata Fuzo, que é especialista no atendimento com crianças e orientação aos pais e administra a conta no instagram @renatafuzo.psi.

De acordo com Renata, uma criança com uma boa autoestima terá melhores condições de enfrentar as dificuldades e frustrações, já que tem consciência dos seus pontos fortes e pontos fracos. Nas crianças pequenas, identificar a baixa autoestima pode ser um desafio, já que pouco verbalizam e usam mais o choro para se comunicar.

Mas, conforme a criança vai crescendo e adquire a capacidade de fala, alguns sinais servem de alerta para a família. “Quando já desenvolveram a fala, podemos perceber esses sinais através de falas negativas sobre a percepção de si mesmas. Frases como ‘eu sou burra’, ‘eu não sei fazer nada direito’, ‘não consigo fazer isso’, ‘ninguém gosta de mim’”, exemplifica Renata.

Entretanto, vale lembrar que nem sempre a criança irá verbalizar. Algumas podem demonstrar por meio do comportamento, seja se isolando, demonstrando insegurança ou medo. 

A psicóloga Thayna Barreiros destaca ainda que alguns pequenos podem ter dificuldade em expressar o que estão sentindo. “Os sinais podem variar de criança para criança. De modo geral, alguns pontos comuns, são a dificuldade de se expressar, começar algo novo e, na primeira falha, já desistir. Há também o choro em situações de frustrações”, ressalta.

Quais os prejuízos da baixa autoestima para o desenvolvimento infantil?

Para a psicóloga  infantil Renata Fuzo, a criança que apresenta baixa autoestima deixa de desenvolver sua própria autonomia, não testando seus limites e tem mais dificuldade em tornar-se uma criança confiante e independente.

“Dessa forma, a criança pode começar a apresentar algumas dificuldades de aprendizado, já que fica com medo de tentar e falhar. Outro prejuízo pode aparecer na adolescência. É um período em que buscam validação de amigos e grupos e, por não ter uma segurança sobre si mesmo, pode ser influenciado por grupos complicados e se envolvendo com bebidas e drogas”, pontua.

Segundo a psicóloga Thayna Barreiros, a baixa autoestima infantil pode ser um obstáculo na vida adulta, em que a pessoa pode ainda continuar insegura, com dificuldade de autoconhecimento e, até mesmo, falta de amor próprio.

Confira 6 dicas de como ajudar seu filho (a) a ter melhor autoestima

De acordo com a psicóloga  infantil Renata Fuzo, assim que pais e/ou mães perceberem que a criança está apresentando algum sinal de baixa autoestima, algumas mudanças são necessárias. Lembre-se que a ajuda profissional é importante quando, mesmo com o apoio da família, a criança ainda apresenta sinais negativos sobre ela mesma. Confira seis dicas da profissional:

  1. Certifique-se que você está oferecendo espaço e tempo necessário para a criança desenvolver suas habilidades do dia a dia;
  2. Comece um diálogo quando a criança verbalizar frases negativas sobre si mesmo, para saber o que levou a pensar aquilo;
  3. Seja um bom ouvinte, sem julgar ou dar sermões. Conecte-se com seu filho e valide o que está sentindo. Com esse vínculo fortalecido, a família consegue ajudar a criança descobrir quem realmente é e quais suas qualidades;
  4. Faça elogios e valide seu filho e/ou filha quando acertar ou criar algo. Permita que a criança mostre o jeitinho que ela tem, mesmo que parece diferente para os pais;
  5. É importante que a criança possa fazer algumas escolhas. Isso ajudará ela perceber quem ela é e o que ela gosta;
  6. Converse sobre como as pessoas são diferentes, tornando todo mundo um ser único e individual. Evite comparações com outras crianças ou entre irmãos.

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por Betina Serson


 

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