A memória é algo incrível! É nela que armazenamos a nossa vida! Por lá, ficam registradas as coisas boas e outras nem tão boas assim. E, neste momento de isolamento social, nós podemos aproveitar para colecionar memórias afetivas com os nossos filhos e família. Pais e educadores estão sendo chamados a se reinventar neste momento, quando muitos de nós temos que nos desdobrar entre o trabalho em casa, o trabalho de casa e a rotina com os filhos. Os pequenos também estão com o dia a dia alterado, já que algumas escolas resolveram entrar em recesso escolar enquanto outras continuam com aulas online ou gravando conteúdos e enviando para os seus alunos. Muitos educadores, inclusive, viraram aprendizes no que diz respeito à intimidade com a tecnologia. Conversei com professores e pedagogos que me contaram que precisaram vencer a timidez diante das câmeras para seguirem fazendo seu trabalho no momento.  Para levar conteúdos aos alunos, muitos acabaram criando canais no youtube, aprenderam a editar os vídeos e estão até fazendo lives com os pais e alunos.  Porém, um dos maiores desafios relatados por eles está em se aproximar dos estudantes e engajá-los, já que nem todos conseguem se concentrar e têm acesso fácil à internet, como me contou a coordenadora pedagógica, Michelle Tezoto, que atua em uma escola pública de Americana/SP. Isso gera um desconforto e uma frustração grande nela que em não atingir seus alunos.  Outra realidade da Michelle é a educação do seu filho adolescente que está no 8° Ano da rede particular do mesmo município, onde precisa entender e ajudar a explicar a ele como funciona a plataforma de estudo online, adotada pelo colégio. E, claro, a preocupação em equilibrar a grade curricular da escola com o lazer e o entretenimento do filho que se distrai com videogame, séries, filmes, se conectado com algum amigo ou brincando com os cachorros. Tudo para que esse tempo fique gravado na memória da família de um jeito positivo.  Já a Natalia Carrara e seu filho Bernardo, de 4 anos, resolveram criar uma rotina juntos. Pensaram em todas as coisas que ele gosta de fazer e nas coisas que precisa fazer- mesmo que não  goste muito-, e desenharam e escreveram essa rotina. Os combinados valem de de segunda a sexta e, nos finais de semana, eles deixaram mais livre. Antes de estabelecerem essa rotina, Bernardo e Natália, que se assumem ansiosos, estavam quase enlouquecendo na quarentena! Por isso, trazer uma programação já organizada e democrática, trouxe de volta uma parcela de normalidade à vida. E, assim, tem sido muito mais fácil passar por esses dias tão “nublados” que estamos vivendo.  Essa foi uma ótima ideia da Natália e que você pode aplicar com seus filhos em casa! 

Usando a internet a nosso favor

Por estarmos distantes fisicamentes, os encontros virtuais estão em evidência durante este tempo de isolamento social.  Desde fazer uma chamada de vídeo com amigos e familiares até assistir a conferências e lives online são ótimas ideias para usar a internet a favor de construir uma memória afetiva significativa para nossa família, durante a quarentena. Diariamente, muitos educadores, contadores de histórias, músicos e artistas têm se disponibilizado a trazer um pouco do seu conhecimento e da sua arte para entreter e educar tanto crianças, quanto os adultos. Shauan Bencks, músico e educador brincante, por exemplo, tem realizado lives semanalmente, onde sugere ótimas ideias para as famílias em casa. Dêem uma olhada nessas dicas: – Que tal fazer “lives”ou chamadas de vídeo com os avós da criança para fazer um resgate de canções e histórias que eles cantavam e contavam quando eram crianças e organizar um caderno ou uma pasta com esses registros?!;  – Ou então, que tal ilustrar essas canções e histórias, deixando o material bem lúdico e atraente?; – Quem sabe criar uma playlist com canções da cultura da família? Ou até um livro online com as receitas mais gostosas e exclusivas de vcs? Outra dica ótima é usar a mediação de leitura, que antes era feita presencialmente e agora pode ser realizada por meios virtuais, como, por exemplo, eles fazem no canal do Casulo Viajante, no Instagram. Idealizado por Brunna Talita e Renato Ribeiro que, durante três anos de estrada o projeto já percorreu alguns quilômetros por diversas cidades do Estado de São Paulo, e agora ajuda pais e mães a ilustrarem e mediarem a leitura dentro das suas casas. Pelo perfil, todos os dias eles promovem uma narração de uma publicação ou de um poema-brinquedo acompanhado ao som de instrumentos como violão e bandolim. Como mãe de uma pequena de quase 3 anos, confesso que tem sido muito acolhedor essa troca, mesmo que virtual, tanto para Olivia, milha filha, como para mim, que já nem sou mais tão pequeno assim. Aqui, deixo mais links de contadores de histórias para deixar sua rotina na quarentena mais divertida: Casulo viajante Editora Adonis Alyssa e a magia da Leitura Fafá Conta  Marina Bastos      

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