Um dos momentos mais importantes da escolarização, e talvez o mais esperado pelos pais, é a alfabetização. Afinal, ela representa uma conquista na infância que acompanhará a criança durante seu desenvolvimento. E se já era um momento especial antes da pandemia, que exigia muita dedicação e atenção dos pequenos, agora eles enfrentam um cenário ainda mais desafiador: isolamento social, ensino híbrido ou remoto. Por isso, os adultos envolvidos no processo, tanto os educadores quanto a família, precisam ter ainda mais empatia e paciência para ajudar as crianças nessa etapa. Uma forma leve e divertida de pais e mães participarem dessa etapa é por meio da brincadeira.

A pedagoga Janiele Inez Santos da Rocha, que também é psicopedagoga e especialista em educação infantil, lembra que as crianças aprendem pela observação de comportamentos e atitudes, principalmente dos pais. Por isso, é fundamental ter estímulos em casa.

“Esses estímulos podem ser através de jogos, livros, brincadeiras que podem ser de fácil construção e mediação em casa. Os pais podem estimular de diversas maneiras, alguns sentem dificuldade, mas é possível oferecer atividades em casa que oportunizam a alfabetização. Antes de oferecer uma brincadeira à criança é necessário saber a idade da criança e seu nível cognitivo. Os pais que convivem com a criança facilmente identificaram as brincadeiras que se encaixam para a idade cronológica e cognitiva”, afirma Janiele.

Para as crianças que estão na primeira infância, a profissional sugere brincadeiras que envolvam os canais sensoriais, como massinha de modelar, brinquedos musicais, argila, areia, pintura com tinta e picar papel. “Essas brincadeiras sensoriais permitem que a criança comece a entender o seu ambiente e desenvolver habilidades primordiais para o seu desenvolvimento”, explica.

E não é preciso ter ideias mirabolantes para você ajudar seu filho em casa. Atividades simples são suficientes para você estimular sua criança e, ainda, tornar esse momento em família mais divertido. “Brincadeiras de roda com cantigas, brincadeiras que estimulam e trabalham as habilidades motoras como: pular corda, pular amarelinha, estátua, circuitos; jogos de tabuleiros e de raciocínio como quebra-cabeça, jogo da memória, pega-varetas”, sugere a psicopedagoga Erica Reis, que é pós-graduada em alfabetização e letramento. 

De acordo com a profissional, o desenho livre também é de suma importância nesse processo, pois é uma forma de expressão. “Atividades que estimulam a consciência fonológica como brincar de rimar,  cantar cantigas, ler parlendas, encontrar palavras dentro de palavras, como encontrar a palavra PATO dentro da palavra sapato”, recomenda Erica. A família deve estar atenta ao fato de que todas as atividades propostas devem ser realizadas de forma lúdica e prazerosa. 

Já para crianças maiores, a pedagoga Janiele destaca a necessidade de disponibilizar jogos que demandam concentração e atenção. “Jogos que seja necessário seguir regras, caça-palavras, cruzadinha, dominó, jogo da memória e até mesmo jogos tecnológicos com supervisão de adultos, pois existem muitos aplicativos de jogos para alfabetização”, completa.

A importância de estimular a alfabetização em casa

Segundo a pedagoga Janiele Inez Santos da Rocha, ao fornecer estímulos adequados em casa, pais e mães possibilitam momentos criativos, prazerosos e produtivos para a criança. “Quando a criança é bem estimulada ela terá mais capacidades de aprendizagem, de adaptação e relacionamento com outras pessoas. Acredito que os estímulos sensoriais são importantíssimos para o desenvolvimento da aprendizagem, portanto não podem faltar em casa”, ressalta.

Entre os materiais que não podem faltar em casa para incentivar os filhos, a psicopedagoga Erica Reis lista: papeis, livros infantis, gibis, revistas, lápis, giz, tintas, cola, tesoura, brinquedos educativos e que estimulem a criatividade, como monta-tudo, jogo de pinos, monta-monta, lego, entre outros.

Família deve participar ativamente dessa etapa

Para a psicopedagoga Erica Reis, mesmo antes da pandemia, a participação da família no processo de alfabetização sempre foi fundamental. “a participação dos pais indica possibilidades para uma relação mais próxima para o desenvolvimento do aluno. Por isso, a família deve buscar maneiras para estimular com afeto e  recursos educativos, como por exemplo o momento de contação de histórias, brincadeiras de roda com cantigas e cantinho da leitura”, afirma.

De acordo com a pedagoga Janiele Inez Santos da Rocha, quando os pais participam ativamente dessa etapa, é perceptível no desenvolvimento e na aprendizagem do aluno.  “A criança sente-se motivada e disposta a aprender, e qualquer que seja as alterações que possam existir os pais saberão identificar e buscar a ajuda profissional, se necessário. Um dos papéis fundamentais dos pais é promover um ambiente que seja propício para que o processo de desenvolvimento da alfabetização ocorra naturalmente”, pontua.

Com o atual cenário pandêmico, a psicopedagoga Erica ressalta que o estímulo dentro de casa passou a ser ainda mais necessário. “Com o ensino remoto as crianças necessitam de um maior apoio e incentivo da família no momento das aulas e da realização das atividades propostas, pois com a pandemia a parte da socialização vem sofrendo uma grande ‘lacuna’”, enfatiza Erica.

Por estarem mais em casa devido ao home office, pais e mães estão mais presentes na vida dos filhos e, para Janiele, isso contribuiu ainda mais com a importância do papel da família no processo de aprendizagem da criança. “O incentivo por parte dos pais precisa ser intensificado mediante a situação em que estamos vivendo, onde a dinâmica das aulas remotas ou ensino híbrido não fazem o mesmo sentido para todas as crianças, e isso torna cansativo as situações de aprendizagem. Aí entra a responsabilidade dos pais em motivar, ajudar e conduzir”, acrescenta.


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