O resultado positivo no teste de gravidez é marcado, muitas vezes, pela euforia do casal que deseja ter um filho (a). Acompanhar a gestação, sentir o bebê mexer e poder ver todos os dias a barriga crescer, são sensações indescritíveis. E não há como negar o quão mágico é o nascimento de uma criança. Porém, quem tem um pequeno (a) em casa sabe também o quanto é desgastante e como a vida, simplesmente, vira de cabeça para baixo de uma hora para outra.

Diante da nova configuração familiar, um dos principais desafios costuma ser como manter um casamento. Mas, afinal, o que muda no casamento após os filhos? Para a psicóloga Amanda Almeida, geralmente há mudanças vão desde a qualidade do tempo dedicado com o companheiro (a), passando pelo sexo, pelas rotinas e até mesmo nas conversas. 

“As maiores dificuldades encontradas pelos casais são de comunicação, empatia e tolerância quanto às diferenças. Muitos casais não sabem dialogar, fazer novos acordos e, assim, ajustar os novos processos”, pontua.  

A psicóloga e terapeuta de família e casal Fabiane Moraes de Siqueira lembra que, em um primeiro momento, o casal está acostumado apenas com a vivência a dois, e, sendo assim, a atenção é mais voltada para a relação. “O que ocorre é que quando  os filhos nascem, essa atenção deixa de existir na maioria dos casais,  voltando todas as suas energias para a educação dos filhos. São poucos os que saem sozinhos após a chegada dos filhos. Geralmente, os passeios passam a ser unicamente em conjunto, com toda a família presente”, afirma.

Um estudo britânico da Open University, no Reino Unido, mostrou que casais sem filhos se consideram mais felizes justamente por acreditarem que conseguem dedicar mais tempo para a manutenção do relacionamento, com apoio, conversa e frases de amor. E manter esse cuidado, talvez, seja um dos caminhos para seguir tendo um bom casamento, mesmo após o nascimento dos filhos. “A coisa mais certa a se fazer é que permaneçam com seu grau de admiração elevado um pelo outro”, ressalta a psicoterapeuta evolutiva com foco na afetividade Tati Pacher.


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Mas afinal, como manter a saúde do seu relacionamento?

Você está vivendo esse turbilhão de novos sentimentos e não sabe como manter um bom relacionamento no casamento? As principais dicas da psicoterapeuta evolutiva com foco na afetividade Tati Pacher envolvem a manutenção das individualidades, além de uma comunicação clara e direta e uma flexibilidade perante às mudanças.

“Outros aspectos também importantes envolvem manter admiração um pelo outro, compartilhar tarefas, um clima de namoro por mais desafiador que seja e que, assim, possam fazer programas sem os filhos também. Acima de tudo, o casal deve lembrar que sempre será maior que seus filhos, grandes, unidos e fortes pelos pequenos. Esses papéis, quando invertidos, podem ocasionar o desgaste na relação”, esclarece.

Dividir as tarefas, para não sobrecarregar a mãe, também é essencial, segundo a psicóloga Amanda Almeida. “Deixar algumas responsabilidades da rotina diária com o pai é fundamental para a saúde do casamento, assim todos se sentem importantes e participantes, cúmplices e com o sentimento de que podem contar um com o outro”, destaca.

Amanda também ressalta que priorizar as decisões do casal e não ceder às pressões das famílias também são muito importantes. “Antes dos filhos nascerem, as famílias de origem não costumam interferir muito na vida conjugal, o que já muda depois do nascimento. Então, união e parceria do casal fortalece as decisões. Sempre é bom perguntar para o outro se está confortável a cada interferência específica que acontece”, orienta.

Ainda segundo a profissional, é válido levar em consideração também o tempo e a qualidade do sono, estabelecendo acordos. “A falta de sono aumenta o estresse e, com isso, coloca em risco a rotina do casal. É sempre bom revezar. Os dois têm que ceder e criar alguns tratos para que atendam às necessidades de ambos”, afirma.

 

Ser pai, ser mãe e ao mesmo tempo ser um casal

Gerenciar o tempo de dedicação às crianças para ter um tempo em casal também é uma dica valiosa. De acordo com a psicóloga e terapeuta de família e casal Fabiane Moraes de Siqueira, o casal precisa compreender que o namoro continua após o casamento e mesmo após a chegada dos filhos. “O casal precisa ter o seu momento, além das rotinas diárias que envolvem as crianças. É extremamente saudável saírem juntos, sem os filhos, pelo menos uma vez ao mês. Pode ser um passeio no parque, um almoço ou jantar, cinema, teatro, etc. Porém, neste encontro o assunto não deve se concentrar nos filhos”, recomenda Fabiane.

Para Amanda, é necessário manter um equilíbrio entre o cuidado com as crianças e a dedicação com o companheiro (a). “Não precisa tirar férias dos filhos, basta que esteja no cotidiano e na rotina da família. Uma noite de filmes depois de colocar os filhos para dormir, um jantar romântico ou até um café da manhã na cama antes das crianças estarem de pé podem ser maneiras de passar um tempo a dois, trocar carícias e jogar conversa fora”, exemplifica Amanda.

Agora, se você percebeu que o casamento após filhos já está mais desgastado, a psicoterapeuta Tatiana é enfática ao apontar que, uma das melhores maneiras do casal permanecer junto, é manter a individualidade para que , eventualmente, cada um possa fazer algo que goste.

“Todas as vezes que o ‘nós’ sufoca o ‘eu’, ocorrem desgastes. Outra boa maneira é que cada parte dessa relação se conecte a um novo projeto. Pode ser projeto individual de cada um ou projeto em comum para o casal. Objetivos e sonhos têm o poder de conexão”, explica.

Já para a psicóloga Fabiane, uma forma de melhorar o casamento é deixar de esperar que o outro mude. “Cada um pode mudar seu comportamento em relação ao outro, como por exemplo, ser menos queixoso, menos crítico, se interessar mais pelo que a outra pessoa tem a dizer, tentar compreender porque pensa de tal forma”, afirma.

Contudo, a psicóloga Amanda lembra ainda que buscar ajuda profissional também é uma boa saída para quem deseja manter a qualidade do casamento. “A psicoterapia é a melhor opção, é uma oportunidade do casal desenvolver a capacidade de resolver conflitos, através do autoconhecimento, ressignificação de suas histórias e novos acordos”, enfatiza.


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