Convencer os pequenos que é preciso escovar os dentes após as refeições nem sempre é fácil. Assim como colocar na cama para dormir, às vezes, é uma longa e desgastante batalha.  São inúmeras as lutas que travamos com nossos filhos e filhas no dia a dia, não é mesmo? Mas essa disputa pode ser amenizada usando um quadro de rotinas – uma estratégia da disciplina positiva que se torna uma valiosa ferramenta para tornar o cotidiano das famílias menos estressante.

“Ele faz parte de um conjunto de 52 estratégias que a disciplina positiva recomenda para melhorar as habilidades de mães e pais na educação com seus filhos. A Dra. Jane Nelsen, em sua formação sobre o desenvolvimento infantil, percebia que era muito comum encontrar teorias a respeito do desenvolvimento, mas poucas delas apresentavam soluções práticas para o dia a dia. A disciplina positiva trabalha com teoria aliada a prática, propondo soluções efetivas na formação de crianças”, explica a psicóloga Jaqueline Belmudes, que também é educadora parental em disciplina positiva e educadora integrativa de sono.

Segundo a profissional, o quadro de rotina auxilia na previsibilidade do dia a dia da criança, deixando-a mais segura, tendo em vista que ela sabe o que acontecerá na sequência. “Quando a criança já sabe o que vai acontecer depois, ela se prepara, tanto de corpo quanto de mente. Com adultos também é assim. Quando não sabemos o que vai acontecer em seguida, ficamos inseguros não é mesmo?”, indaga. Para a especialista, a ferramenta auxilia inclusive na construção da autonomia, além de promover a cooperação.


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Como criar o quadro de rotina?

Apesar de poder ser construído também para bebês, a especialista afirma que o quadro de rotina tem mais relevância a partir do momento que a criança começa o desenvolvimento da linguagem e apresenta condições de aprendizagem que facilitem a sua participação na construção da ferramenta. Afinal, a criação do quadro é mais interessante se for realizada de maneira coletiva, com a participação da criança.

“É possível recortar imagens de revistas que simbolizem a atividade da rotina, como por exemplo, uma criança escovando dentes, se vestindo e dormindo; ou buscar desenhos na internet para colorir com a criança. Outra forma é, ainda, fazer fotos da criança desenvolvendo essas atividades”, exemplifica. Outra alternativa, caso a criança já consiga desenhar, é você incentivá-la a criar essa sequência, a partir do seu próprio desenho.

Durante o desenvolvimento dessa estratégia, convide a criança a pensar na sequência, como por exemplo: “o que fazemos após o banho”? Aposte em perguntas curiosas e deixe que os pequenos respondam o que deve ser feito. “Eles serão os guias! Com isso, incentivamos a autonomia, a criatividade, senso de cooperação, e eles se sentem responsáveis pela atividade. Estimulamos a criatividade e senso de confiança”, acrescenta Jaqueline. Lembre-se que o quadro é feito em conjunto e jamais deve ser imposto à criança.

Os pais podem dar escolhas limitadas para o filho (a) em relação ao local que o quadro pode ser instalado. Entretanto, fique atento para ser de fácil acesso para a criança.

Confira uma sugestão para montar um quadro da rotina do sono a partir de fotografias:

 

Quadro de rotinas x quadro de recompensas: qual a diferença?

Na educação tradicional, é mais usual a existência do quadro de recompensas. Entretanto, essa iniciativa não é indicada pelos adeptos da disciplina positiva, uma vez que não desperta noções de responsabilidade. “A diferença está que o quadro de recompensas tem foco no externo ao invés de ensinar o controle interno, aquele quando ninguém está olhando. A criança fica dependente de reforço externo para todas as suas atividades e não ensina senso de responsabilidade e cooperação com o ambiente comum e coletivo, como a casa da família”, pontua Jaqueline.

Já o quadro de rotinas é uma das formas de evitar conflitos no dia a dia das famílias, principalmente nos horários mais turbulentos, como o período da manhã, antes de sair de casa, e à noite, antes de dormir. “Quanto mais oportunidades criamos para que as crianças realizem suas tarefas de forma mais independente, mais elas se sentirão capazes”, completa.


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