No primeiro ano de vida de uma criança, além da expectativa para os primeiros passinhos, a fala é um dos processos de desenvolvimento mais esperado pela família. As primeiras palavras são sempre motivo de muita comemoração, não é mesmo? Mas, com o passar dos anos, nem todas as crianças evoluem na formação de frases e aquisição de novas palavras, o que acaba deixando pais e mães preocupados. Então, surge a dúvida: o que é esperado a partir dos 3 anos?

De acordo com fonoaudióloga Raquel Lobo, uma criança de 3 anos é capaz de produzir mais de 500 palavras e já usa frases complexas, sabendo até mesmo aplicar os tempos verbais (presente, passado e futuro), as preposições, os plurais e expressar os seus sentimentos. 

“Ela já inicia diálogos, mantém tópicos em conversação e narra eventos passados. Quanto a fala propriamente dita, produz fonemas como: B, M, P, T, D, N, K, G, NH, F, V, S e Z”, explica a profissional.

A tão comum troca do R pelo L, como faz o personagem Cebolinha, clássico das histórias em quadrinho da Turma da Mônica, costuma ser superada um pouco mais tarde. “Entre o 4º e 5º ano de vida, em geral, as crianças são capazes de produzir o som do /r/, de forma isolada e nos encontros consonantais”, ressalta.

Agora, o que os pais e as mães devem observar para saber se é preciso procurar ajuda profissional? A fonoaudióloga lista quatro fatores que precisam ser avaliados por um especialista para verificar o que pode estar interferindo no desenvolvimento da comunicação. “Se aos 3 anos a criança não consegue produzir palavras isoladas ou em frases; tem dificuldade em conversar com as pessoas, sem iniciativa de iniciar um diálogo ou contar um fato passado; não apresenta uma fala minimamente inteligível, demonstrando várias trocas de fonemas; faz muito esforço ou caretas para falar, além de expor limitações para compreender o que falamos com ela ou usar sua comunicação não verbal de forma funcional”, exemplifica.

A profissional lembra que, apesar de cada criança ter seu próprio desenvolvimento, alguns marcos precisam ser atingidos nas idades que realmente são esperados. “Sabemos que as intervenções precoces têm respostas mais eficientes e rápidas no desenvolvimento das crianças. As dificuldades de fala, quanto mais tardiamente são avaliadas e tratadas, mais repercutirão em áreas como aprendizagem da leitura e escrita, social e emocional”, afirma. Por isso, ao perceber qualquer sinal de alarme para alteração de comunicação/fala, procure um fonoaudiólogo.

 

Mães compartilham o momento que buscaram ajuda profissional

Quando a filha Paola tinha apenas 2 anos, a psicóloga e empresária Raquel Faraone Rando, de 37 anos, resolveu procurar uma fonoaudióloga, pois percebia que a menina falava poucas palavras. “Apesar de se comunicar muito bem de outras formas, ela sempre arrumava uma maneira, apontando, fazendo mímica”, explica.

Com a pandemia, Paola deixou de ir para a escola e, ainda, ganhou uma irmãzinha. Raquel afirma que a filha não regrediu, mesmo com os novos acontecimentos. Porém, ela percebeu que Paola não estava evoluindo na fala. “A pediatra e a fono, depois de avaliarem, constataram que ela estava atrasada. Ela não tem nada, iria falar no tempo dela, mas, mesmo assim, resolvi iniciar a fono e foi bom, porque ela está se desenvolvendo bem mais rápido e estamos mais orientados de como ajudá-la a evoluir na fala”, conta.

Já a tecnóloga em Recursos Humanos Rafaela Tavoloni, de 35 anos, que é mãe de um menino de 3 anos, conta que durante a pandemia percebeu que o menino trocava algumas sílabas. “Ao invés dele falar cachorrada, ele fala ‘paforrada’, por exemplo. Numa consulta com a pediatra ela também percebeu e pediu para vê-lo em um mês. Nós voltamos e ela confirmou que ele não tinha evoluído”, lembra. O garoto foi encaminhado para a fonoaudióloga e, então, ele iniciou um acompanhamento com a profissional. 

 


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