Apesar de já ser bastante popularizada entre mães e pais, a disciplina positiva ainda é um assunto novo para muitas escolas. Enquanto diversas famílias já sabem colocar em prática as ferramentas de uma educação firme e gentil, o ambiente de ensino tem começado a se movimentar para entender melhor essa teoria, que preza por colocar limites de forma respeitosa, porém, ao mesmo tempo, incentiva a autonomia infantil. 

Enquanto a educação tradicional adota uma postura mais severa e punitiva e a permissividade cede às vontades da criança, a disciplina positiva busca um equilíbrio. “A disciplina positiva é uma abordagem socioemocional que propõe ferramentas práticas baseadas em respeito mútuo e cooperação. Utiliza tanto gentileza quanto firmeza, ao mesmo tempo, e não é punitiva nem permissiva”, explica a psicopedagoga Ana Lúcia Grespan Neves Mancini, que também é educadora em disciplina positiva para professores e primeira infância.

Para a neuroeducadora Rosa Berto, a disciplina positiva é uma abordagem tanto filosófica quanto prática, na qual busca a conexão entre as famílias. “A palavra disciplina significa ensinar e cabe a nós adultos ensinar habilidades para que a criança se desenvolva  em longo prazo”, afirma. 

As famílias adeptas a esse método de educação sabem que aplicá-lo em casa traz inúmeros benefícios. Na sala de aula não é diferente, afinal, a disciplina positiva ajuda as crianças a desenvolverem habilidades de vida, como: autodisciplina, resolução de problemas e responsabilidade.

“A disciplina positiva tece os ensinamentos de habilidades socioemocionais e desenvolvimento de personalidade dentro do tecido de todo e qualquer dia do ano letivo. Além de aulas específicas, os adultos modelam as habilidades que estão ensinando e as integram dentro do sistema de disciplina usado pela escola. O resultado é uma abordagem em toda a escola para uma disciplina efetiva e uma escola que, sistematicamente e intencionalmente, cultiva um ambiente e uma cultura escolar positiva”, pontua Ana Lúcia.

Ainda em sala de aula, uma ferramenta muito importante que deve ser desenvolvida é o encorajamento. “Quando os alunos são encorajados a expressar suas opiniões, têm escolhas ao invés de ordens e usam habilidades de resolução de problemas em grupo no qual se sentem muito mais confiantes ao expressar sua opinião”, acredita a neuroeducadora.

Rosa ainda destaca que toda conexão em sala de aula melhora quando não existe um ambiente autoritário. “A disciplina positiva é composta por métodos que convidam os alunos a focarem em soluções em vez de serem receptáculos de punições e recompensas. Os métodos proporcionam um clima seguro, no qual os alunos podem analisar seu comportamento, descobrir como ele afeta os outros e se empenhar em resolver problemas de forma eficaz para gerar mudança”, afirma.

Sendo assim, a disciplina positiva, quando aplicada na escola é mais uma oportunidade para que as crianças aprendam a nomear e reconhecer seus sentimentos, desenvolvendo empatia e compaixão.

Como a escola do seu filho (a) pode aplicar a disciplina positiva?

Se você já pratica a disciplina positiva com seu filho e/ou filha, certamente iria gostar que essas ferramentas também fossem adotadas pela escola, não é mesmo? Afinal, coerência e consistência são fundamentais na educação das crianças. Então, que tal sugerir essa abordagem numa próxima reunião de pais? 

Como a aplicação da disciplina positiva se baseia em princípios claros, objetivos e práticos, a psicopedagoga e educadora Ana Lúcia Grespan Neves Mancini acredita que os conceitos podem ser apresentados na escola por meio de workshops, em que os professores possam aprender a se relacionar com os alunos de maneira gentil e respeitosa, especialmente diante dos comportamentos mais desafiadores. 

“Os participantes aprendem através de dinâmicas e vivências que proporcionam uma profunda compreensão dos conceitos abordados e das ferramentas propostas. Além dos workshops, acompanhamos através de mentorias, grupos de discussão, materiais de apoio, assessorias especializadas, palestras e workshops para os pais, entre outras para complementar e potencializar o trabalho”, recomenda Ana Lúcia. 

Ainda segundo a profissional, as práticas implementadas na escola são a base para justiça social e equidade nas comunidades de aprendizado e nas estruturas físicas escolares. “A disciplina positiva também é uma prática restaurativa focada no desenvolvimento para reparar erros e curar relacionamentos. Quando colocada em prática da maneira como foi concebida, a disciplina positiva é preventiva à medida que os alunos desenvolvem mais habilidades de autorregulação e resolução de problemas, os incidentes disciplinares diminuem”, complementa a psicopedagoga.


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