Na era da globalização, ouvir que a criança vai sair da escola falando inglês perfeitamente faz brilhar os olhos de muitas famílias. Afinal, eles sabem que ser fluen­te na língua inglesa já não é mais só desejável: virou ferramenta obrigatória em boa parte das carreiras. E para que um novo idioma seja melhor assimilado, muitos pedagogos afirmam que o ideal é que a criança tenha contato com ele já no início da vida escolar. Mas, até que ponto isso é saudável? E como escolher o modelo ideal para minha família? 

Conheça as diferenças entre escola brasileira, bilíngue e internacional e entenda qual é a mais indicada para seu filho.


15 pontos para avaliar na hora de escolher a escola dos filhos


Escola brasileira

Nestas escolas, o português é o idioma principal e os professores de língua estrangeira, em geral, são formados em Letras, com habilitação em Português/Inglês, mas não são obrigatoriamente fluentes no segundo idioma, nem possuem vivência internacional. 

Com exceção dos jogos e atividades para as aulas de língua estrangeira, todo o material didático é apresentado em português e o conteúdo curricular segue os parâmetros nacionais. 

Para quem deseja que o aluno curse uma universidade brasileira, pública ou privada, a proposta de ensino da educação tradicional, oferecida pela escola brasileira, pode atender bem aos objetivos, já que o conteúdo estará mais alinhado ao vestibular destas universidades.

 

O que é escola bilíngue?

Para quem quer entender melhor o que é escola bilíngue, vale destacar que a proposta deste modelo é proporcionar fluência em um segundo idioma, em especial o inglês, além de imergir o aluno na cultura do país estrangeiro. Embora o processo de alfabetização possa variar bastante, em geral, no ensino infantil as aulas costumam ser em inglês, tanto a comunicação com os professores, quanto os materiais de suporte usados para aprendizagem. 

Já no ensino fundamental, as aulas passam a ser mescladas entre português e inglês e o aluno estuda em período integral. Elas seguem o currículo nacional, portanto, oferecem apenas o diploma brasileiro. Outra característica é que os programas normalmente possuem uma carga horária diária mais extensa e exigem maior tempo de permanência da criança na escola.

 

Escola Internacional

Nesta modalidade, o currículo e a cultura estão focados em um determinado país e os alunos são alfabetizados em inglês, antes de qualquer idioma, para depois aprenderem o português. Disciplinas como Geografia, História do Brasil e Português são ministradas no idioma nacional, enquanto outras são apresentadas na língua estrangeira. 

Além disso, elas acompanham o ano letivo do país de origem – as americanas, por exemplo, iniciam suas atividades em agosto e se estendem até junho do ano seguinte. Essas escolas costumam seguir o programa International Baccalaureate e oferecem também o diploma internacional. Desta forma, os alunos têm mais chances de ingressar em universidades estrangeiras. Por isso, geralmente, essas instituições são procuradas por filhos de profissionais estrangeiros que residem no Brasil.

 

Bilíngue: quanto mais cedo, melhor

Para os pais que buscam a imersão da criança no idioma estrangeiro seja para facilitar a comunicação, para ampliar os horizontes profissionais e, ao mesmo tempo, incentivar o contato com diferentes culturas, mas sem perder a dimensão local, a escola bilíngue pode ser um caminho interessante. 

Mas, neste caso, a orientação é que a criança ingresse nesta proposta de ensino até os oito anos de idade, já que nesta fase o cérebro estará mais receptivo a assimilar o segundo idioma. Além disso, o contato com outras culturas na infância estimula a compreensão das diferenças e torna o aluno mais propenso a lidar com elas.

“O multiculturalismo, a capacidade criativa e a compreensão do mundo ao seu redor, estimulados dentro das escolas bilíngues, permitem às crianças trabalharem colaborativamente entre grupos de diferentes origens, respeitando e entendendo as diferenças”, destacou Peter Visser, diretor acadêmico da escola bilíngue Maple Bear Canadian School. 

Doutora em Educação, Katia Martinho Rabelo também defende que, quanto mais cedo a criança for inserida em um programa bilíngue, melhor será a adaptação, já que ela estará mais familiarizada a uma carga horária de ensino maior.

“A neurociência vem apontando que quanto mais cedo a criança estiver inserida num contexto bilíngue, maior o número de sinapses neurológicas estabelecidas no cérebro dessa criança e por isso um desenvolvimento mais potente de suas capacidades”, afirmou.

 

Escola internacional: projeto de futuro da família deve ser considerado

Se a ideia é incentivar a vida acadêmica e profissional no exterior, ou se a família está em trânsito pelo Brasil ou ainda se planeja migrar para outros países, a escola internacional possui um formato interessante, já que oferece diploma internacional e uma experiência global no contato com a cultura e o idioma estrangeiros. Por possuir unidades em diferentes cidades do mundo e, em alguns casos, permitir que os alunos viagem para conhecê-las, esse modelo fortalece o intercâmbio cultural. 

“Os alunos desenvolvem uma verdadeira competência global e podem se tornar futuros líderes preparados para entender e resolver problemas de escala global, mas também terão a oportunidade de olhar para a comunidade ao redor com uma perspectiva de resolução de problemas”, destacou Daniela Pannuti, Associate Division Head da Primary Division da Avenues, que tem campus em SP , NY e Shenzhen (China) e estuda abrir unidades na Europa e outras nos EUA.

Mas esses fatores não devem ser os únicos a serem considerados no momento da decisão. É fundamental que a família analise e considere escolher uma escola que possua os valores, a missão e as práticas pedagógicas que estejam em sintonia com as suas crenças e seus projetos para seus filhos”, apontou a doutora Katia.


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A criança pode participar da escolha?

Para a gestora educacional, Silvia Cahu, toda criança pode se encaixar em qualquer modelo de colégio, exceto aquelas que apresentem algum tipo de transtorno psiquiátrico ou neurológico precoce. Os demais, inclusive, podem até ser incentivados a participar do processo de escolha.

“É importante refletir se a criança apresenta características de sociabilidade, capacidade de enfrentar desafios, se tem um bom nível de compromisso e autonomia diante das orientações dos pais e se ela demonstra interesse diante das propostas apresentadas pelos seus parentes para seu projeto e objetivos de vida. Caso o contexto se apresente nessas condições mencionadas, a escolha da escola pode ser debatida familiarmente com a participação da criança”, avaliou.

Seu filho estuda em um colégio bilíngue ou internacional? Escreva contando sua experiência. Ficaremos felizes em compartilhar com outros pais!

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