Chega o momento de colocar o filho na escola e, então, surgem inúmeros questionamentos. Afinal, essa é uma decisão que terá um grande impacto na vida da família e, principalmente, na da criança.

O que todos os pais e mães almejam é matricular os pequenos em uma instituição que ofereça um ensino de qualidade, onde as crianças também possam aprender e evoluir se sentindo confortáveis, mas que, sobretudo, trate-as com cuidado e atenção. De preferência, pessoal, conforme revelou essa pesquisa feita pelo Escolas Exponenciais. Mas, com tantas opções disponíveis, como conseguir fazer a melhor escolha?

Para ajudar sua família nessa empreitada, entrevistamos a coordenadora pedagógica Silmara Patrícia Junque Sachetto, que listou 15 dicas que os pais devem avaliar na hora de escolher a instituição de ensino para matricular seu filhos. Confira:

  1. Conheça o projeto pedagógico. Existem várias linhas educacionais, como a tradicional e a construtivista, até as mais alternativas, como a Waldorf e Montessori. Cada uma tem sua particularidade, sendo alguns pontos parecidos e outras questões bastante distintas. Escolha a que mais tem identificação com a sua família.


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  2. Para definir se a matrícula será em meio período ou integral, primeiramente, é necessário levar em consideração e necessidade e a realidade da família. Quanto mais novos, melhores são os benefícios de passar o maior tempo possível com os pais e familiares na construção e consolidação de laços afetivos. Assim, se a criança têm possibilidade de conviver com a família no período oposto, a indicação é pelo meio período.
  3. Se escolher pelo ensino integral, vale observar se a escola oferece um ambiente que propicie situações de aprendizado e que seja, ao mesmo tempo aconchegante; se oferece  alimentação saudável; e se há local apropriado para o descanso. A rotina deve ser diversificada ao longo do dia.
  4. Outro ponto fundamental na hora de escolher a escola é se informar sobre quem são os profissionais que ficam com as crianças, qual a formação acadêmica e o tempo de experiência de cada um deles. Essa é uma forma, inclusive, de saber se os profissionais estão alinhados com a proposta pedagógica da escola.
  5. Verifique como é o diálogo entre família e instituição. Uma escola confiável é aquela em que os pais têm acesso para discutirem os problemas com transparência e que esteja disposta a firmar parceria em prol da criança. Por isso, escolas que tenham boa comunicação com pais e alunos merecem ser priorizadas.
  6. Apesar de tentador, a escolha não deve levar em consideração se a escola é perto da casa ou do trabalho dos pais. “Isso só valerá a pena se, minimamente, ela se encaixar nos requisitos de que se pensa ser uma boa escola, o que envolve proposta pedagógica, valores que a escola comunga, espaço físico apropriado e formação dos professores”, destaca.
  7. Observe o espaço físico, pois ele revela bastante a proposta pedagógica da escola. Também fique atento às questões de segurança. Há pisos antiderrapantes? Caso tenha escada, existe corrimão e tela de segurança?
  8. As crianças devem ser as protagonistas da instituição. Repare se as paredes estão repletas de decoração feita pelas mãos dos adultos, com desenhos estereotipados, ou se refletem as marcas das descobertas, através da exposição das produções das crianças.
  9. A escola deve encantar, aguçar a curiosidade e propor desafios aos pequenos. Por isso, deve ser um local apropriado para contação de histórias, com tapetes, almofadas, livros à disposição, uma área livre que, além do playground, tenha cordas, materiais para construir cabanas, brinquedos diversos e local para desenhar.
  10. Se as refeições são oferecidas pela escola, pergunte se o cardápio é elaborado por uma nutricionista e se essa profissional acompanha periodicamente o preparo das refeições. Também questione a frequência do oferecimento de massas, frituras, industrializados e embutidos.
  11. Caso a criança leve o lanche de casa, verifique quanto à restrição de algum alimento, o que já pode demonstrar se a escola se preocupa com alimentação saudável.
  12. Indague ao coordenador pedagógico como a escola realiza a abordagem para a resolução de conflitos, que além de serem comuns no ambiente educacional vão compor parte da formação moral dos pequenos.
  13. Não tenha vergonha em perguntar com qual periodicidade é realizada a limpeza das salas de aula, banheiros e do refeitório. Se informe, também, como e com que frequência é realizada a limpeza de brinquedos, colchonetes, esteiras e objetos de uso constante.
  14. Busque conversar com outras famílias que têm filhos matriculados naquela instituição. O horário de entrada e saída dos alunos podem ser uma boa oportunidade para puxar conversa.
  15. Não fique preocupada com o número de escolas que você deve ou não visitar. Conheça todas as que você tem interesse e só decida quando sentir segurança na instituição.

Saiba como uma mãe pedagoga escolheu a escola dos filhos

Geisa Paula dos Santos, de 36 anos, é pedagoga e mãe de dois meninos, que têm 14 anos e 5 anos. Ao longo da trajetória educacional das crianças, ela conta que já matriculou os garotos em escolas públicas e privadas. “Vejo pontos bons e ruins em ambas as instituições. Penso que o ensino privado, até em razão das mensalidades e um planejamento, por vezes, mais elaborado, oferece maior promoção acadêmica. Porém, avalio que se os pais também buscassem participar mais dentro das instituições públicas, mas que são pagas com dinheiro dos nossos impostos, favoreceria a educação do nosso país. Mas, de modo geral, e até por eu ser muito criteriosa, nossas experiências foram de muito mais sucessos do que fracassos”, destaca.

Nessas escolhas, Geisa revela que sempre buscou conhecer a proposta pedagógica e a relação da escola com a família. “A relação família e escola é um fator muito importante, tendo em vista que a relação que temos com os filhos em casa terá uma extensão na escola e vice-versa. Por isso, é preciso ter esse bom relacionamento, até para que se algo diferente ou novo surgir, possa ser alinhado sempre levando em consideração promover a capacidade das crianças saberem lidar com situações adversas”, destaca.

O espaço físico e a formação dos profissionais da escola também são questões avaliadas pela pedagoga. “Avalio com critério também os profissionais envolvidos, de maneira que meus filhos possam ter oportunidades de ampliar suas habilidades. O espaço físico é muito importante, pois para além de tudo, a escola – embora seja uma instituição de ensino – ela traz em nossa vida a memória afetiva, por isso, um ambiente acolhedor é sempre a melhor opção”, recomenda.

“E, para mim, a mais fundamental dica é lembrar que a escola vai ensinar nossos filhos a escrever e ler. Mas os valores eles trarão de dentro das nossas casas. Assim, eles certamente serão cidadãos que sabem ter seu espaço e sabem respeitar o do outro, constituindo, assim, uma sociedade”, completa.


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