Neste início de ano, diversas escolas de diversos estados brasileiros estão retomando aos poucos o ensino presencial. Para isso, as instituições adotaram protocolos de saúde, que incluem aferição de temperatura, higienização das mãos, distanciamento social e turma reduzida de alunos. Entretanto, para preservar a saúde de toda a comunidade escolar e para que as medidas sanitárias funcionem, é preciso que as famílias também cooperem e tenham responsabilidade. Isso significa que crianças com qualquer quadro gripal não devem ser enviadas para escola. 

De acordo com a pediatra Danielle Scalercio Zanconato, a regra deve valer para qualquer sintoma de gripe apresentado pela criança, mesmo que seja uma simples coriza. “Assim que a criança apresentar algum sintoma gripal, recomenda- se a suspensão imediata das atividades escolares; deve-se manter a criança em casa, em observação dos sintomas pelos responsáveis, obedecendo todas as medidas de higiene ao cuidado com essa criança”, afirma. 

Caso a criança conviva ou tenha contato com algum familiar do grupo de risco, o ideal é manter o pequeno ou pequena ser isolada dessa pessoa. Mas, então, quando a criança poderá retornar para as aulas presenciais? Para Danielle, apenas quando não houver mais nenhum sintoma de gripe ou resfriado. “Se a criança se apresentar assintomática, poderá retornar as atividades escolares, com os devidos cuidados de higiene e seguindo os propostos”, explica. 

Danielle ressalta que tanto em crianças quanto adultos, não é possível diferenciar um quadro viral respiratório de coronavírus. A única diferença são os casos em que há perda de olfato e paladar, muito relatado por pacientes que contraíram o vírus. Porém, vale lembrar que nem todos os contaminados nesta pandemia apresentam este sintoma. “Quadros respiratórios leves, somente com coriza, dor de garganta ou até mesmo sintomas mais gerais como dor no corpo, indisposição, dor de cabeça e até mesmo diarreia, podem acontecer”, pondera.

Segundo a médica, as doenças virais duram, em média, cerca de quatro dias, sendo que também podem ser acompanhadas de febre. Caso a criança apresente algum sintoma, além de não a enviar para a escola, a recomendação é observar atentamente se ela está disposta, brincando e se alimentando. “Se não existem sinais de alerta, devemos utilizar medidas de controle da febre, como antitérmicos prescritos pelo pediatra, banhos com temperatura da água confortável para a criança, boa hidratação, boa alimentação, descanso e lavagem nasal com soro fisiológico”, orienta.

Agora, a família deve ficar atenta à alguns sinais, como falta de ar, muito cansaço, tosse excessiva, febre alta sem resposta aos medicamentos antitérmicos, prostração, sonolência, falta de apetite, baixa aceitação de líquidos e choro inconsolável. “Muito importante salientar que não deverá ser feita nenhuma medicação sem prescrição médica e que, atualmente, não existem evidências científicas de medicamentos para uso preventivo, ou mesmo de controle da doença com sintomas leves”, pontua.

Com sintomas gripais, mãe deixa filho em casa por duas vezes

Neste início de ano letivo com aulas presenciais, a instrutora de acroyoga Tatiana Graciano, de 35 anos, conta que por duas vezes o filho Antonio, de 4 anos, já apresentou sintomas gripais. “Na primeira vez foi apenas tosse e, na segunda, começou com uma coriza que evoluiu para uma dor de ouvido. Nas duas ocasiões achamos melhor deixar ele em casa, tanto para a recuperação dele, mas principalmente para não expor outras crianças, já que não sabíamos a evolução do quadro”, explica.

Devido ao cenário pandêmico, mesmo sendo um simples resfriado, Tatiana ressalta que em nenhum momento pensou em mandar o filho para a escola e que espera que essa consciência seja praticada por toda a comunidade escolar. “Tudo o que a gente gostaria que as outras pessoas fizessem por nós, a gente tenta fazer pelas outras famílias. Mesmo sendo sintomas simples de gripe, acho super importante deixar as crianças em casa, fora do convívio escolar”, completa. 


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