Aos 13 anos, a skatista Rayssa Leal levou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos e encantou todo o mundo. E não foi apenas a destreza nas manobras que chamou a atenção. Fadinha, como é conhecida, esbanjou leveza e alegria durante a competição. Sorriu, dançou e mostrou tranquilidade, evidenciando que a prática esportiva contribui também para o desenvolvimento emocional das crianças.

“A prática de esporte pelas crianças pode contribuir e muito nos fatores emocionais, pois é nesse momento que a criança pode se expressar, usar a criatividade e até desenvolver novas habilidades de uma forma divertida, permitindo que a criança se sinta feliz durante e depois das atividades”, afirma a professora de educação física Sabrina Schröder.

Segundo a profissional, os hormônios liberados durante a prática esportiva ajudam a reduzir o estresse, diminui a ansiedade, melhora a autoestima, diminui a depressão infantil e melhora o sono da criança. “Quando a criança se identifica com a prática esportiva e consegue progredir, ela fica mais confiante. Enfim, a criança ativa é mais feliz”, ressalta Sabrina.

 Para Lucas Luiz Alves Leopoldo, presidente e fundador do Projeto Social Socializar Aceres, que atende crianças em situação de vulnerabilidade em Minas Gerais, o esporte possibilita aos baixinhos a lidar melhor com as próprias emoções. “O esporte dá suporte para desenvolver responsabilidade e autocontrole. Claro que sempre supervisionados por profissionais, professores e técnicos com formações acadêmicas. Lembrando que nos próximos anos, devido à pandemia, as práticas esportivas terão um papel fundamental na vida de todos, principalmente das crianças, em relação à recuperação da saúde física, mental e emocional”, pontua.

Esporte estimula habilidades e competências no desenvolvimento infantil

Além de estimular a coordenação motora, favorecer o equilíbrio e auxiliar no amadurecimento emocional, os esportes possibilitam ainda o desenvolvimento de habilidades e competências que refletem até mesmo na vida adulta. Um dos pontos destacados pela professora de educação física Sabrina Schröder é o papel fundamental que o esporte exerce para a socialização infantil.

Quando falamos em socialização não estamos falando apenas na criança estar em um ambiente com outras crianças e, sim, na sua capacidade de se relacionar, de se sentir confiante e segura para poder se expressar e criar relações. Habilidades como trabalho em equipe, solidariedade, empatia e respeito vão sendo construídas através do esporte, e contribuem muito para seu desenvolvimento e, principalmente, prepara para os desafios de convivência das fases seguintes, que é a adolescência e a vida adulta”, destaca.

Sabrina afirma ainda que as práticas esportivas melhoram o desempenho escolar, pois desenvolvem o raciocínio, a memória e a concentração. “A criança aprende pela convivência com outras a se relacionar bem, aceitar as diferenças. Aprende a resolver conflitos, tomar decisões, respeitar. Aprende sobre saúde e bons hábitos e aprende a lidar com as frustrações, afinal nem sempre se ganha um uma partida de futebol”, explica.

Além de prevenir a obesidade na infância e na vida adulta, outro benefício apontado pela ortopedista pediátrica Natasha Vogel Majewski Rodrigues é o aprendizado com o autocuidado. “O esporte ensina os cuidados referentes a cada atividade, o uso de equipamentos de proteção, o uso de calçado adequado, a importância da hidratação, o aquecimento para iniciar a atividade e o alongamento, além de oferecer momentos de prazer”, completa.

A partir de qual idade é recomendada a prática esportiva? 

A ortopedista pediátrica Natasha Vogel Majewski Rodrigues é enfática ao afirmar que o estímulo à atividade física deve começar desde o nascimento. “Quando incentivamos os bebês a serem ativos como: sentar, se arrastar, engatinhar e andar; evitamos comportamentos sedentários, o que não é benéfico para a saúde e desenvolvimento da criança”, explica.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a partir dos 3 anos as atividades físicas estruturadas, como natação, danças, lutas e esportes coletivos podem ser incluídos no dia a dia da criança.

A professora de educação física Sabrina Schröder lembra que a natação é recomendada para bebês a partir de 6 meses. “A criança pode ser introduzida à natação de forma lúdica, com músicas, e na companhia dos pais, o que além de dar mais segurança à criança, permite que ela explore seus próprios movimentos em um ambiente diferente e de forma agradável”, orienta.

Na opinião de Lucas Luiz Alves Leopoldo, presidente do Projeto Social Socializar Aceres, é importante permitir que, até os 11 anos, a criança tenha a oportunidade de experimentar todos os esportes que desejar, enfatizando a parte lúdica e sem muitas responsabilidades.

“O importante é ter várias experimentações, vários tipos de movimentações e situações para o seu desenvolvimento e formação integral. A partir dos 12 é que começa a ter uma certa escolha por uma prática e um pouco mais de responsabilidades, com cobranças de alguns resultados para que eles possam evoluir, tanto a parte física quanto a parte técnica, tática, emocional, social e assim por diante”, exemplifica.

Família deve incentivar ao esporte, mas sem cobrar resultados    

Para a ortopedista pediátrica Natasha Vogel Majewski Rodrigues, a família deve garantir que a atividade física feita pelos filhos e/ou filha seja agradável, respeite a maturidade mental de cada criança, segura e que contribua para o desenvolvimento infantil.

“Educadores e pais devem oferecer um ambiente de competição saudável, que estimule a confiança, a cooperação e uma autoimagem positiva, em vez de apenas vencer. E se a criança não gostar de um determinado esporte, a nossa função como pais é proporcionar o contato com diversas modalidades e explicar sobre a importância disso”, recomenda.


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