Muitas pessoas tem a ideia errada sobre este tema. Protagonismo infantil não é sobre deixar a criança mandar nos adultos, resolver tudo por si ou ser o centro das atenções, como o ator principal de um filme. A criança é protagonista quando é agente de seu próprio desenvolvimento com participação ativa, seja no ambiente familiar ou escolar, do seu processo de aprendizagem, afinal ela tem opiniões e necessidades próprias. Protagonismo infantil se refere a contribuir e se sentir importante, valorizada e útil, para isso, incentivamos que expressem seus pensamentos, necessidades, opiniões e sentimentos. Nos dias de hoje, as crianças têm voz e querem participar. Do mesmo modo, os pais e educadores devem incentivar esse protagonismo a fim de encorajar e educá-las de forma que cresçam autoconfiantes, responsáveis e independentes.  

Mimar x encorajar

Muitos pais exageram nos mimos e isso prejudica as crianças por não desenvolver a autonomia. Como pais, precisamos encorajar transmitindo confiança e segurança para ela aprender. Da mesma forma, errar também faz parte do aprendizado. Quando se faz tudo pela criança, ela começa a achar que é incapaz e que precisa que o outro faça tudo por ela. Encorajar é incentivar, confiar, valorizar o esforço, a dedicação que a pessoa tem e seu desempenho no processo. Encorajar é dizer: “Eu confio em você e sei que é capaz. Eu estou aqui se precisar, mas eu sei que você é capaz de encontrar uma solução sozinho”. Dessa forma, a criança desenvolve auto estima e autoconfiança que vai permiti-la ser protagonista de sua própria aprendizagem.  

Protagonismo em sala de aula

Infelizmente, o protagonismo infantil não é muito utilizado. A maioria das escolas seguem conteúdos engessados, sem dar espaço para o olhar da criança, para o que ela precisa e onde está curiosidade dela no momento.  Frequentemente ouvimos que os alunos são desinteressados nos dias de hoje. Você já notou que nas escolas as aulas são iguais para todos os alunos? Os alunos não são iguais. É ingenuidade nossa achar que eles ficarão 50 minutos interessados em assistir uma aula de geografia, por exemplo. Incentivar o protagonismo é usar as próprias indagações das crianças, é estar atento a tudo que ela carrega e pode trazer. Claro que para isso a criança precisa de alguém para orientar e seja responsável. Para isso, cabe a nós observar, conhecê-las e ser um facilitador, um mentor na vida dela. A nós cabe dar um “empurrãozinho” para que ela desvende o próprio mundo. No futuro, não sabemos que profissões vão existir, então é claro que o conteúdo acadêmico é válido, mas é importante também o unir com as necessidades das crianças para que desenvolvam o pensamento crítico, façam associações e reflexões, perguntas sobre os variados temas e encontrem as respostas.  

Protagonismo: você deve ser a margem

Para que serve a margem de um rio? Para guia-lo não é mesmo? Igualmente, nós temos que ser como uma margem para as crianças e orientar para que ela alcance o seu potencial máximo, que é onde nós queremos que ela chegue. Quando limitamos a criança, ela não alcança o seu potencial máximo e vai apenas até um ponto. Praticar o protagonismo infantil é isso, deixar que ela faça e percorra seu caminho com confiança. Nós não sabemos onde ela vai chegar, mas queremos que chegue muito longe e seja a melhor versão dela. O mundo mudou. O jeito de assistir televisão, o jeito de consumir, os relacionamentos não são mais como antigamente. A não ser a nossa educação. Continuamos seguindo o modelo do século passado e esperando o mesmo resultado (que não chegam nunca).  

Seja hoje o protagonista da mudança

O bom é ver novas propostas, ver que as pessoas estão buscando novas ferramentas e metodologias e escolas em busca de um ensino mais humano e condizente com nossa realidade. Com a tecnologia, podemos pesquisar, procurar novidades e aprender muito. Ainda não é como gostaríamos, mas é um começo para mudar as futuras gerações. Vamos buscar novas referências, conhecer melhor o protagonismo infantil e ver se faz sentido com os nossos valores e, principalmente, vamos acreditar no nosso potencial e no potencial das crianças de aprender e ter humildade, pois a gente não sabe tudo. Precisamos buscar mais conhecimento para educar da melhor forma. Não podemos mudar o jeito do outro, mas podemos mudar o nosso jeito e assim, impactamos o comportamento das pessoas que estão nosso redor. Um passo de cada vez já é um começo para uma grande transformação.

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