Há alguns anos, tem crescido o movimento antivacina, que possui como adeptos pessoas que consideram as vacinas inseguras e ineficazes. Sendo assim, esses indivíduos não se imunizam e nem levam seus filhos e filhas para serem vacinados, o que pode causar um grande problema para à saúde pública e, inclusive, colocar a vida de outras pessoas em risco, de acordo com especialistas.

Para a pediatra Jéssica Nicole, que administra o perfil @suapediatra, no Instagram, o movimento tem ganhado força baseado em notícias falsas que circulam pelas redes sociais. “Em minha opinião, o movimento antivacina vem com a tendência que estamos acompanhando sobre fake news, junto com a desconfiança na ciência. Alguém lança uma matéria sensacionalista com nomes sedutores como ‘a verdade sobre a vacina’ e isso se propaga até se tornar uma ‘verdade’, porque é o que algumas pessoas querem acreditar”, afirma 

De acordo com a pediatra Kesianne Marinho, que administra no Instagram o perfil @nossa.pediatra, a vacinação é um pacto social, pois traz consequências para toda a sociedade e não apenas para uma pessoa e/ou seu filho (a). “A vacinação do maior número possível de pessoas protege também aqueles que não podem tomar vacinas por problemas de saúde e protege aqueles que não tem a melhor resposta vacinal possível. Assim, afirmar-se antivacina é, no mínimo, um ato egoísta”, ressalta.

Ao optar por não vacinar as crianças e não se imunizar, há o risco de contrair todas as doenças que seriam imunopreveníveis. “Há ainda o risco de atraso diagnóstico, pois há tantas doenças já praticamente erradicadas por conta da vacinação que não seriam a primeira hipótese diagnóstica do profissional que, porventura, atender esse caso. Por exemplo, durante toda a faculdade e residência médica, não atendi nenhuma criança com poliomielite, difteria, sarampo, entre outras. Então, meu grau de suspeição dessas doenças que nunca vi é pequeno”, exemplifica Kesianne. 

Porém, justamente por conta desse movimento, Kesianne ressalta que os casos de sarampo aumentaram nos últimos dois anos, provocando uma atualização no diagnóstico e tratamento da doença. “Há ainda o risco da criança saudável contrair alguma doença que, para ela, não seria tão grave, mas pode passar para outros familiares ou contactantes, que podem manifestar formas mais graves da doença”, explica.

Segundo Kesianne, o risco desse movimento para a sociedade é o retorno das doenças imunopreveníveis, podendo levar a morte ou acarretar incapacidades físicas permanentes, sendo que as duas possibilidades poderiam ser evitadas.

 

Existem vacinas que podem causar reações mais severas?

Alguns pais e mães, adeptos ao movimento antivacina, argumentam que há vacinas inseguras, que podem causar reações severas nas crianças. Entretanto, a pediatra Jéssica Nicole explica que todas as vacinas são medicamentos que irão atuar “provocando” imunidade no organismo, sendo que a maioria causa reações leve, como dor local e febre.  

“Levamos em conta o risco e o benefício antes de serem oferecidas à grande massa. E a história do antes e depois do processo de vacinação comprova que os benefícios continuam sendo bem maiores que os riscos”, pontua.

Há, ainda, vacinas disponíveis em clínicas particulares que causam menos reações adversas e podem ser uma opção para famílias que assim desejarem.

“Grupos específicos de pessoas, como imunocomprometidos, devem individualmente ser avaliados para saber qual o melhor esquema vacinal possível. Na dúvida converse com o profissional que acompanha seu filho”, recomenda a pediatra Kesianne Marinho.


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O que acontecerá com a pandemia se muitas pessoas não se vacinarem?

Desde que a pandemia teve início, a corrida pela vacina é apontada como uma solução para que a sociedade possa retornar todas as suas atividades de maneira tranquila e com segurança. Entretanto, além da sua própria efetividade, o número de pessoas vacinadas será determinante para sua erradicação.

“Se o número de não vacinados for grande, o vírus continuará circulando e infectando pessoas em nosso meio. Com a vacinação do maior número de pessoas possível, associado ao aprendizado de melhora de etiqueta respiratória e hábitos de higiene, conseguiríamos diminuir a circulação do vírus de forma mais rápida, diminuindo número de novos infectados e risco de reinfecção”, afirma a pediatra Kesianne Marinho.


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