Você faz parte do time das mães que não deixa a criança brincar no sereno para não ficar doente? Ou toda vez que a temperatura abaixa um pouco já pede para o filho e/ou filha colocar uma blusinha para não ficar resfriado (a)? Mas será mesmo que o frio provoca gripe?

De acordo com a pneumologista pediátrica Paloma Iemini, que administra a conta no instagram @drapaloma_pneumoped, trata-se apenas de um mito. “Infecções, tanto virais como bacterianas, são transmitidas de pessoa a pessoa, principalmente em ambiente fechado, com aglomerações e pouca circulação de ar”, explica. 

Ainda segundo a médica, isso vale também para a transmissão do novo coronavírus. “Assim, é essencial ventilar os ambientes. Mesmo que esteja frio, as janelas devem ser abertas com frequência para melhorar a circulação do ar e assim, minimizar os riscos de transmissão, principalmente de doenças virais”, pontua.

Mas, então, você deve estar se perguntando o motivo de as crianças apresentam mais doenças respiratórias nas estações mais frias, certo? Paloma ressalta que isso acontece porque durante o outono e inverno há maior possibilidade de proliferação de bactérias e vírus. “Na época de frio, nós temos o hábito de permanecer em locais fechados, com pouca ventilação e aglomerações de pessoas, o que aumenta o risco de contrair essas doenças”, explica.

Além disso, é importante lembrar que o sistema imunológico das crianças normalmente ainda não está desenvolvido em sua totalidade. “Por isso, elas sofrem com as principais doenças da época como resfriado, gripe, sinusite, crise asmática, bronquiolite e pneumonia”, exemplifica.

Principais doenças respiratórias que acometem as crianças no inverno

Segundo a pneumologista pediátrica Paloma Iemini, as principais doenças do inverno que acometem os baixinhos são as doenças respiratórias transmissíveis, como resfriados e gripes. Porém, ela afirma que pode acontecer o agravamento de outras doenças crônicas, principalmente se não estiverem controladas, como é o caso da rinite, asma, sinusite, otite e pneumonia. 

“O motivo está relacionado principalmente com a época de frio e a circulação de vírus e bactérias, já que a temperatura fica mais baixa, o ar fica mais seco e há uma maior tendência em ficar em ambientes fechados”, reforça.

Devido ao cenário pandêmico, Paloma lembra que qualquer sintoma gripal, tanto em crianças quanto adultos, é importante dar mais atenção para a suspeita de infecção pelo SARS-CoV-2.

É possível prevenir gripes e resfriados em crianças?

Você lembra que a pneumologista pediátrica Paloma Iemini explicou que a transmissão de gripes e resfriados ocorre apenas de pessoas para pessoas? Sendo assim, a melhor forma de prevenir as infecções virais é mantendo o ambiente aberto, ventilado e lavar as mãos constantemente. 

“Além disso, não levar a criança doente à escola ou locais com outras pessoas para evitar a propagação de infecções e evitar também o contato com adultos resfriados ou gripados”, orienta Paloma.

Outra recomendação da médica é para vacinar os pequenos e pequenas contra a gripe, sendo que esse imunizante é disponibilizado anualmente pelo SUS (Sistema Público de Saúde) para crianças de até 6 anos. 

“As crianças devem ser vacinadas contra a gripe, que é uma infecção mais séria do que um resfriado. A vacina não causará a doença, pois nela os vírus estão inativos e não se multiplicam dentro do nosso corpo. Atenção também para as vacinas anti-pneumocócicas e anti-hemófilo, que podem ajudar a prevenir as pneumonias e são aplicadas no calendário vacinal do SUS, nos primeiros meses de vida da criança”, explica a pneumologista pediátrica.

Manter uma vida saudável, alimentação balanceada com frutas e verduras, prática frequente de exercício físico e incentivar o contato com natureza, são hábitos que ajudam a prevenir doenças e que devem ser adotados não apenas pelos filhos, mas sim por toda a família.   

Lavagem nasal diária pode ajudar no combate às doenças respiratórias

Uma outra medida que auxilia na prevenção de gripes e resfriados é adotar o hábito diário de higienizar o nariz. A limpeza e hidratação nasal ajudam a eliminar secreções, dificultando a possibilidade de os germes se alojarem nas mucosas e, consequentemente, provocarem uma infecção respiratória.

A lavagem nasal pode ser feita usando seringa, jato, conta gotas ou acessórios próprios para a limpeza, que são encontrados em farmácias. O procedimento deve ser feito com soro fisiológico, que precisa ser armazenado na geladeira por até 15 dias. Antes de usá-lo, é importante aquecê-lo para ficar em temperatura ambiente. 

O otorrinolaringologista Ivan de Picoli Dantas aconselha fazer a limpeza e hidratação nasal diariamente, inclusive, mais de uma vez ao dia. “A lavagem funciona como prevenção de doenças. Quando as secreções acumulam no nariz e nos seios da face, há mais chances de desenvolver gripes, resfriados, rinites e sinusites”, pontua.


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