Para pais e mães, o desfralde é um dos momentos mais esperados no desenvolvimento dos filhos e/ou filhas. Afinal, o processo de deixar as fraldas mostra mais ainda que já não há um bebê pela casa e, sim, uma criança. Olhando pelo lado dos pequenos, pode-se dizer que se trata de uma das maiores competências adquiridas na infância, uma vez que o controle esfincteriano possibilita maior autonomia, aumenta a autoestima e amplia o conhecimento do próprio corpo. Entretanto, é uma fase que costuma gerar preocupação para muitas famílias, principalmente com o temido xixi na cama. 

Segundo especialistas, até os 5 anos é comum ocorrerem escapes noturnos. Isso significa é normal que aconteçam alguns episódios em que a criança vai acordar com a roupa molhada. Agora, depois dessa idade, o recomendado é procurar ajuda profissional. “Até os 5 anos é considerado normal apresentar escapes de xixi na cama. Mas, depois disso, cabe uma avaliação com o pediatra para afastar causas orgânicas, fazer exames e encaminhamento para o urologista infantil, se necessário”, afirma a pediatra Sandra Maria Ruiz Prado. 

Antes disso, o urologista pediátrico Átila Rondon ressalta que é comum a criança apresentar escapes noturnos, pois cada indivíduo tem o seu próprio tempo de maturidade do sistema urinário. Porém, para ajudar os pequenos a passarem por essa etapa, Rondon afirma que a família precisa lidar com os escapes de forma respeitosa “O primeiro passo, e o mais importante deles, é não criticar o pequeno. Troque as queixas e broncas por reforços positivos, ou seja, ao invés de comentar: ‘mais uma vez você acordou com a roupa e a cama molhada’, espere o dia que a criança acordará sem ter feito xixi na cama e elogie. Diga parabéns porque ele acordou e as roupas dele e da cama estava sequinhas”, exemplifica.

A pediatra Sandra lembra ainda que a criança se sente envergonhada ao fazer xixi na cama, e que ela jamais deve ser humilhada ou reprendida por isso, independentemente da idade. O que os pais podem fazer são ajustes na rotina para tentar diminuir a frequência dos escapes. “Algumas medidas podem ajudar, como diminuir os líquidos ingeridos duas horas antes de dormir e evitar alimentos irritantes para a bexiga, como café, chás, refrigerantes, suco de frutas cítricas e chocolates, pois contribuem para a contração do músculo detrusor, que estimula o esvaziamento da bexiga”, recomenda.

 

Meu filho tem 5 anos e ainda faz xixi na cama. E agora?

De acordo com a pediatra Sandra Maria Ruiz Prado, tanto se a criança apresenta escapes urinários, diurno ou noturno, após os 5 anos, ou se já havia conseguido o controle da urina por mais de seis meses, mas voltou a fazer xixi na cama, a orientação é buscar ajuda profissional. “Neste último caso, o mais provável são causas de questões emocionais, como separação dos pais, perda de alguém querido, mudança de escola. A avaliação pode necessitar de profissionais de diferentes áreas de atuação como o pediatra, urologista, fisioterapeuta e psicólogo”, explica.

O urologista pediátrico Átila Rondon explica que os escapes de urina durante o dia ou à noite, que podem acontecer com crianças acima dos 5 anos, são chamados de enurese. Quando isso acontece, Rondon acredita que o primeiro profissional que deve ser procurado pela família é o próprio pediatra que já acompanha a criança. “Mas, para os pais que querem uma rede de apoio, podem encontrar um especialista em enurese, através dos Centros de Apoio, que estão espalhados pelo Brasil. Entrando em contato, é possível ter acesso a uma clínica, hospital ou consultório próximo a residência do paciente”, indica. Os centros de apoio com profissionais especializados em diagnosticar e tratar enurese podem ser consultados no site.

Ainda segundo o urologista, a enurese necessita de diagnóstico médico e tratamento adequado, que pode ser por meio de mudanças de hábitos ou até mesmo com uso de medicação. “Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a enurese noturna pode existir até os 12 anos de idade. Esses casos somam 3%, possuindo o risco, inclusive, de permanecer até a vida adulta”, destaca. 

 

Como é feito o diagnóstico da enurese?

O diagnóstico de enurese é feito, inicialmente, de acordo com o histórico do paciente, da rotina da criança e quando ocorrem os escapes. “O especialista vai avaliar se a criança urina normalmente durante o dia, ou seja, se ela tem controle da micção enquanto está acordada. Vai analisar também se a urina tem bom fluxo, se há gotejamento, interrupções e a quantidade desses escapes por mês”, explica o urologista pediátrico Átila Rondon.

O médico ainda ressalta que a genética é um outro fator que deve ser levada em consideração. “Se um dos pais foi enurético, a chance do filho ser é de 44%. Quando pai e mãe foram enuréticos, as chances sobem para 77%”, pontua. Rondon ainda comenta que exames também fazem parte do processo de diagnóstico, como de urina para descartar a presença de infecções ou diabetes, além de raio-x para avaliar a anatomia e estrutura do trato urinário. 

A pediatra Sandra Maria Ruiz Prado esclarece também que há casos de enurese por causas orgânicas. “Pode acontecer por bexiga muito reativa, sono pesado, concentração diminuída do hormônio antidiurético à noite e vasopressina, quando a bexiga não consegue armazenar o volume de urina produzido”, pondera. Entretanto, após a avaliação e diagnóstico, o médico poderá indicar o melhor tratamento para a criança, que nem sempre será o mesmo para todos os pacientes.

 

Conheça os principais tratamentos para enurese

Apesar de nem sempre os tratamentos serem os mesmos para toda criança, o urologista pediátrico Átila Rondon afirma que, normalmente, são quatro linhas sugeridas:

Rotina

São feitas pequenas mudanças na rotina da criança enurética, mas que podem ser bastante significativas. No mínimo duas horas antes de a criança ir dormir, é importante evitar a ingestão de líquidos ou alimentos com cafeína e chocolate. Também é fundamental criar o hábito de urinar antes de deitar. Logo ao acordar também é recomendado;

Alarme

Nesse tipo de tratamento, a criança utiliza um sensor próximo ao pênis ou à vulva que dispara um som quando tem contato com as primeiras gotas de urina. Como o alarme é fixado no pijama, próximo ao ombro, a criança acorda, vai ao banheiro e urina. Após um período que pode variar entre dois a seis meses, o esperado é que a criança adquira um condicionamento e não precise mais do dispositivo para saber que, ao sentir a bexiga cheia, é hora de urinar;

Acompanhamento psicológico

O apoio de um psicólogo(a) é um importante aliado para a criança e para a família, já que além de recuperar a autoestima dos pequenos, também pode orientar os pais sobre como lidar com a situação;

Medicamentos

Quando necessário, e de acordo com o grau de enurese de cada paciente, o especialista prescreve a medicação adequada e o tempo de uso será pela avaliação frequente que o paciente terá durante o tratamento.


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