As gargalhadas, os olhares atentos e a euforia das crianças não deixam dúvidas que os pequenos se divertem muito durante as brincadeiras. Porém, a importância do brincar vai muito além do entretenimento. Os momentos brincantes são fundamentais para o desenvolvimento infantil, pois auxiliam na coordenação motora, nas habilidades e estimulam a criatividade. É brincando que os baixinhos aprendem e descobrem o mundo.

“Brincar é uma linguagem de conhecimento. As brincadeiras dão base para uma série de experiências e vivências, permitindo que as crianças aprendam brincando. Por isso, o brincar é essencial na vida da criança, para que ela possa sorrir, movimentar, inventar, existir e interagir com o outro”, afirma a pedagoga Vanessa Aranha, que também é contadora de histórias, educadora brincante e colunista do blog Family Center.


Confira nossa coluna: Brincar é uma linguagem de conhecimento


Especialistas e estudiosos da área pontuam ainda o valor que a brincadeira tem para o desenvolvimento pleno da criança, tendo impacto na sua cognição, afetividade, coordenação motora e nas relações sociais. Segundo argumentam, é brincando que ocorre a formação da assimilação de conhecimentos, que terão reflexos depois, já na vida adulta. “Brincando a criança vai construindo a sua forma de ver e entender o mundo, enriquece sua representação sobre o meio físico e social, aguça a curiosidade, que aumenta as suas possibilidades de fazer perguntas, de querer saber sempre mais. Por meio do brincar, os diferentes aspectos do desenvolvimento infantil são estimulados”, pontua Vanessa.

Para o psicólogo André Barreto Prudente, a importância do brincar é tão fundamental quanto a necessidade que uma criança tem de ser cuidada com zelo e amor pela família. “Eu posso dizer que o brincar é o principal meio de comunicação de uma criança com o mundo. É o principal caminho para ela conhecer o mundo e conhecer a si mesma. É importante para ela aprender a se relacionar com as pessoas”, argumenta.

O artista plástico, teólogo e mestre em Ciências e Religião, Gandhy Piorski ressalta ainda que brincar é fundamental para estimular a imaginação infantil. “A linguagem fundamental da criança, a forma da criança se comunicar, principalmente na primeira infância, é a imaginação. Brincar trabalha com a linguagem da alma, que é a imaginação”, disse ele durante a participação no programa 124 do podcast Mamilos, “A importância do Brincar”.

 

Como as habilidades são desenvolvidas brincando?

Para exemplificar como a brincadeira ajuda no desenvolvimento de habilidades físicas, a educadora brincante Vanessa Aranha cita, por exemplo, o jogo de amarelinha ou macaquinho. “Durante a brincadeira, o pequeno precisa estar equilibrado em uma perna só parte do tempo e tentando controlar seu corpo para não pisar na linha ou até mesmo não cair”, diz.

Ainda sobre brincadeiras que envolvem corporalidade, outras sugestões da profissional são brincar de estátua e de mímica que auxiliam também na expressão corporal. A música “cabeça, ombro, joelho e pé” também é indicada.


Veja a importância de desenvolver e incentivar o protagonismo infantil


Também relacionados ao desenvolvimento da psicomotricidade e coordenação motora figuram brincadeiras como pular corda, montar quebra-cabeças, empilhar e bolinha de gude. Entre as brincadeiras que desenvolvem agilidade, é possível citar cabo de guerra, queda de braço, balança-caixão, amarelinha, etc.

Já quando se trata de brincadeiras capazes de desenvolver a autonomia, a profissional destaca a importância do livre brincar tendo em vista que é na ação livre que a criança naturalmente se entrega à fantasia e, assim, fortalece sua independência de forma lúdica. 

“Um exemplo é quando a criança está no tanque de areia ou em um campinho brincando com elementos da natureza e acaba inventando um bolo de dinossauro, que não existe na vida real. Isso evidencia a sua autonomia criativa”, explica. 

Porém, o psicólogo André Barreto Prudente lembra que autonomia não é, necessariamente, sinônimo de independência tendo em vista que podem existir várias formas de autonomia. “Se pensarmos em autonomia corporal, qualquer brincadeira que ajude a criança a trabalhar a coordenação motora fina e grosseira vai dar uma certa autonomia no uso dessas coordenações. Se pensarmos que temos que todos os dias que comer, tomar banho e escovar os dentes, qualquer brincadeira que ajude uma criança a fazer esses autocuidados, está ajudando-a desenvolver autonomia”, ressalta.

Envolver artes como teatro, música, dança, artes plásticas ou até mesmo contação de histórias no roll de brincadeiras é uma forma assertiva de unir o desenvolvimento de habilidades físicas e cognitivas, além de ajudar a criança a desenvolver sua leitura de mundo, através da imaginação.

 

O brincar livre e sua importância para o desenvolvimento infantil

Mas, afinal, o que significa brincar livre, conceito que atualmente tem sido utilizado com tanta frequência? Segundo o psicólogo André Barreto Prudente, o brincar livre é quando a criança explora a si mesmo, o mundo e as relações, a partir do seu impulso interior. “Isso honra a sabedoria da própria criança”, afirma.

Já o brincar dirigido, outro termo usado pelos profissionais da área, é construído a partir de um adulto, que entende que determinadas brincadeiras trabalham algumas habilidades e, então, acredita que auxilia em um desenvolvimento específico. “Quando você trabalha com brincadeira dirigida, você está honrando a sabedoria do adulto”, explica.

De acordo com Prudente, a brincadeira é, sim, fundamental para o aprendizado infantil. Porém, ele acredita que, ao integrar o brincar livre com o brincar dirigido, é possível atingir de maneira ainda mais o completa o desenvolvimento da criança. “Ainda acho que a maior parte do brincar deve ser livre e menos brincar dirigido. O brincar livre estimula mais a criatividade. O brincar dirigido estimula mais você a seguir certos caminhos, que levam a certos resultados”, explica. 

Contudo, o psicólogo enfatiza que o ideal é a integração das duas ações, onde a criança possa ter criatividade e, também, disciplina. “Uma criança que saiba ser livre, pensar em si mesma, mas que saiba ouvir o outro e acolher o que o outro traz. Isso é fundamental. E o brincar livre e o brincar dirigido podem fazer essa ponte”, completa.

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