Basta chegar a adolescência para, a maioria dos pais e mães, desabafarem sobre a má relação com os filhos e/ou filhas. E os relatos são sempre muito parecidos: teens que não conversam com a família, pouco compartilham sobre o dia a dia, passam horas trancados no quarto e por aí vai. Mas, a notícia boa é que todo esse cenário desafiador pode ser evitado ainda na infância.

Sabe quando sua criança fica um longo tempo pedindo sua atenção e convidando você para sentar no chão e brincar com ela? Exatamente momentos como esse que são fundamentais para construir um bom relacionamento com esse futuro adolescente.

“A relação deve ser construída através do brincar. A criança é muito lúdica, ela precisa brincar, pois a brincadeira é um exercício de formação da personalidade da criança, de relação com o mundo. A criança se relaciona com o mundo através do brincar. Então, nós que somos adultos, mãe, pai e/ou cuidador, precisamos sentar no chão e brincar com as crianças”, ressalta o hebiatra Felipe Fortes, que é especialista no atendimento aos adolescentes.

De acordo com Fortes, sentar no chão e brincar com os filhos (as) é fundamental para o estabelecimento de vínculos. “Ficar na mesma altura é efetivamente importante. Olhar no olho, poder deitar e rolar, se sujar, entrar dentro do universo da brincadeira, é absolutamente importante. É uma potência que a gente não imagina. É um vínculo que a gente constrói para o resto da vida. E é nesse momento que o vínculo tem que ser construído: na infância”, destaca.

 


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Como estimular o diálogo com os filhos desde pequenos?

E para o diálogo, a ideia central é a mesma: é ainda na infância que pais e mães devem estimular a conversa aberta com os filhos (as), sendo que muitas delas podem surgir até mesmo durante os momentos de diversão em família. “Tem muita conversa no brincar. A criança acaba conversando sobre temas que estão no consciente dela, que estão no dia a dia, que são demandas subliminares ou que também são só diversão. O brincar é rico, poderoso, potente e formador de vínculo”, completa. 

Ainda segundo Fortes, a construção de uma relação de proximidade e afetividade íntima com a criança é um grande passo para que essa relação se mantenha na adolescência. “É importante essa relação de amizade, de cumplicidade com a sua criança”, afirma.

Nesse sentido, o hebiatra sugere para pais e mães inserirem as crianças na dinâmica familiar, deixando que os pequenos possam sugerir o cardápio do jantar, por exemplo, e perguntando qual horário que eles gostariam de brincar juntos com os adultos. “Ouça a criança. Deixe ela participar de algumas decisões da vida familiar. Isso vai construir a autoestima da criança de estar pertencendo a uma família que realmente a ouve e considera ela parte ativa das decisões. Isso vai reverberar muito nesse ser adolescente, quando os diálogos serão mais frutíferos”, explica. 

A psicóloga Leticia Aparecida Silva ressalta que, se a criança não se sentir acolhida e amada na infância, na adolescência será mais difícil sentir-se pertencente à família. “Todas as experiências que a criança tem, desde seu nascimento, servirão de base para seu desenvolvimento integral. E o que se vive com os pais na infância vai representar como será a relação na adolescência, e por toda a vida. Os vínculos que são construídos nos primeiros anos da vida da criança serão base para as relações que ela vai ter ao longo da vida, com os pais e com as outras pessoas!”, destaca.

 

Horário de brincar com os filhos deve fazer parte da rotina do adulto

Com o cotidiano atribulado, repleto de compromissos profissionais, encontrar um tempo de qualidade para estar com os filhos (as) nem sempre é uma tarefa fácil para muitos adultos. Entretanto, é preciso se esforçar para conseguir incluir um horário de dedicação para brincar com os pequenos. “A gente consegue cumprir um milhão de metas profissionais, muitas vezes não sabemos como vamos dar conta, mas no final sempre conseguimos. Usamos diversos recursos, fazemos escalas, colocamos na agenda, nos programamos… Enfim, porque não fazer isso da nossa vida familiar com nossas crianças?”, indaga o hebiatra Felipe Fortes. 

O horário de brincar com as crianças precisa fazer parte o dia a dia, nem que para isso seja necessário colocar na agenda. “Olha que louco, mas isso (colocar na agenda) pode ajudar. Colocar um momento de brincar, de estar em família, mas precisa ser um tempo expressivo, não pode ser 10 minutos. E naquele momento em que você está sentado se dedicando a você e ao seu filho, você não vai fazer mais nada. Você vai se desligar dos outros compromissos, não vai marcar nada nesse momento, e vai se desligar de tudo. Desliga eletrônicos, telas e senta no chão para brincar com seu filho”, recomenda. 

Nesse momento, aproveite para demonstrar interesse genuíno sobre o mundo da criança, sobre o que ela pensa, se importa e suas emoções. “Sente para brincar e pergunte como foi o dia, o que teve de mais legal e de mais chato. Com isso, valorizamos e compreendemos como eles pensam e se sentem”, sugere a psicóloga Leticia Aparecida Silva. 

A psicóloga ainda reforça que a construção de um bom relacionamento com os filhos ocorre por meio da comunicação e da disponibilidade emocional. “Precisamos estar abertos para ouvir o que as crianças têm a dizer, promover sua segurança  e autonomia, valorizando quem seu filho é”, ressalta.

Para Letícia, pais e mães também devem incentivar a curiosidade e a exploração de novas experiências. “Não basta apenas os cuidados básicos como dar comida, banho e cuidar do sono. Devemos enxergar nossos filhos como seres humanos que estão em desenvolvimento e que tem muito para ensinar e aprender, que a relação é uma via de mão dupla, em que damos e recebemos!”, afirma.


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