Crianças com máscaras, proibidas de abraçar os amiguinhos e amiguinhas, sem compartilhar as refeições e mantendo a distância da professora. O cenário para o retorno presencial das aulas é bem diferente do que os pequenos estavam acostumados antes da paralisação. Apesar de todos esses protocolos sanitários serem necessários para os cuidados com a saúde de toda comunidade escolar, o novo formato pode ser desafiador para as crianças, inclusive emocionalmente.

Por isso, pais e mães devem conversar com os filhos e filhas sobre os novos hábitos a serem seguidos na escola. “É interessante que os pais comecem a falar sobre esse assunto o quanto antes, até mesmo para que sintam as emoções dos filhos e como irão reagir. Nesse momento, já devem ensinar que algumas regras agora serão diferentes. É um (re)começo, então, não vão poder abraçar os coleguinhas, abraçar a professora, deverão ter mais higiene com as mãos, usar máscaras… Converse sobre tudo isso para que a criança já vá se acostumando com essa nova realidade”, pontua a psicóloga infantil Sabrinne de Camargo.

Com o longo período isoladas dentro das casas, longe dos amigos e da escola, o mais esperado é que as crianças estejam ansiosas por esse retorno. Entretanto, caso seu filho e/ou a filha apresente alguma resistência em ir para a escola, por medo do vírus, a recomendação é acolher os sentimentos da criança. “Caso ela apresente algum medo específico, os pais devem acolher esse medo, procurar entender o que ela está sentindo e procurar a causa desse medo antes de tomar alguma atitude”, explica.

 


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O medo dos pais e a ansiedade da separação

A psicóloga ainda recomenda aos pais e as mães para observarem se eles estão inseguros com a volta às aulas por conta da pandemia. “Quando a criança apresentar alguma resistência em voltar, o que temos que ficar atentos é a maneira como os pais transmitem essa segurança para as crianças. Vale ressaltar aqui que os pais são os modelos para os filhos, então se nós estivermos inseguros, com medo, possivelmente essa criança também irá ficar”, afirma.

Para as crianças que já voltaram para às aulas presenciais e apresentaram alguma angústia, a orientação é para os pais e as mães tentarem descobrir os motivos na mudança do comportamento. “Algumas crianças, certamente, nunca tiveram tão longo espaço de tempo com os pais, como ocorreu no isolamento social. Então, poderá ocorrer, nesse retorno às aulas, uma ansiedade de separação, um medo de se afastar dos pais. Vale a pena lembrar que será um trabalho em conjunto entre pais e escolas e outros profissionais. É importante também confiar no empenho da escola”, ressalta. 

Agora, caso a criança continue apresentando alguma dificuldade, é importante buscar auxílio de um profissional da saúde, como psicólogos. Vale destacar que os especialistas acreditam que a pandemia traga consequências psicológicas à longo prazo para algumas pessoas, uma vez que é esperado o aumento da incidência de ansiedade tanto em crianças, pais, mães e professores.

 

Mãe de Manaus conta como foi o retorno das aulas das filhas

A perita criminal Cynthia Costa Pinto, de 36 anos, conta que desde o início da pandemia sempre manteve o diálogo com as filhas Isadora, de 6 anos, e Catarina, de 3 anos. “Antes mesmo da escola parar, logo no início da pandemia, eu já expliquei tudo sobre o coronavírus, o porquê de lavar as mãos, passar o álcool, usar máscaras, não tossir ou espirrar sem colocar o braço na frente, etc”, conta Cynthia, que mora com a família em Manaus.

Quando as aulas foram suspensas, Cynthia manteve com as filhas uma rotina de estudos no período da manhã. Porém, de vez em quando as meninas lamentavam e pediam para ir para a escola. “Eu aproveitava para explicar tudo novamente, acalentar, dizer que era necessário, mas temporário, que em algum momento elas voltariam para escola, mas que seria um pouco diferente… provavelmente teriam que usar as máscaras, não poderia mais abraçar”, explica.

Sendo assim, quando Manaus anunciou o retorno das aulas presenciais para o mês de agosto, as crianças já estavam acostumadas com as conversas sobre a nova realidade escolar, já que a mãe sempre manteve as filhas informadas. “Isadora não via a hora de rever os amigos, ficou bem ansiosa uns dias antes e se adaptou super bem às mudanças. Usa as máscaras sem reclamar, já faz parte do uniforme. Terminou o café da manhã, ela escova os dentes e já coloca a máscara”, conta. 

A caçula, Catarina, não teve dificuldade em aceitar a máscara, mas sentiu a falta da mãe durante a adaptação escolar. “Ela não queria ficar na creche nos primeiros dias, queria a mamãe… mas normalizou em uma semana. Também não resiste em lavar as mãos com mais frequência e passar o álcool”, afirma. 

Para retornar às aulas presenciais, a escola onde Isadora e Catarina estudam adotou alguns procedimentos sanitários, como manter um funcionário com viseira na entrada da instituição com termômetro para aferir a temperatura das crianças, além de borrifar álcool em gel e disponibilizar um tapete sanitizante. Na rotina escolar, também foram introduzidos vários momentos para lavar as mãos e passar álcool em gel.

Pais e mães também não podem mais entrar na escola. Podem permanecer apenas em uma área externa, onde há sinalizações no chão e placas informativas. “Além da dedetização a cada 15 dias (antes era uma vez ao mês), tem a sanitização contra a covid toda sexta-feira. Todos os professores e funcionários foram testados para covid antes de iniciar as aulas e utilizam máscaras e viseira. Os eventos presenciais foram cancelados e os que vão ter a partir de setembro serão divididos por turma”, explica.

Por ser uma escola construtivista, as crianças já contavam com várias atividades ao ar livre e, agora, a prática foi intensificada. “A hora da história era feita numa sala lúdica. Hoje é feita no gramado, embaixo da palmeira. Tem um gramado enorme que é usado pra diversas atividades, como aula de artes, esportes, natureza e sociedade, matemática… sempre que possível, eles estão indo pra área externa e isso me tranquiliza muito”, completa.


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