Formar cidadãos críticos, com capacidade de refletir sobre as problemáticas do mundo e do próprio contexto no qual estão inseridos, com conhecimentos para atuarem no mercado de trabalho e, ainda, para que saibam sempre agir com empatia e respeito. Engana-se quem acredita que o papel da escola é ser apenas fonte de conhecimento cognitivo. As instituições de ensino também tem papel central na responsabilidade por preparar crianças e jovens para os desafios do dia a dia, ensinando e transmitindo valores. 

Mas, afinal, a escola ensina ou educa? O ideal é que execute as duas ações. De acordo com o jornalista e professor universitário Marcos Brogna, que também é especialista em comunicação e mestrando pela Cásper Líbero, o papel da escola é contribuir para a formação de cidadãs e cidadãos com autonomia, senso crítico e capacidade de conviver, unindo o saber e o fazer. 

“A palavra ensina vem do latim ‘insignare’, que significa ‘instruir sobre’, enquanto educar, também palavra latina, vem de ‘educare’, que traz, além do ensinar, a ideia de ‘criar’, e de ‘ex-ducere’, que é ‘conduzir para fora’, ou seja, fazer desabrochar, ir além de si pelo conhecimento. São conceitos muito próximos e penso que o desafio de uma sociedade que se quer justa e civilizada é muito mais uni-los do que segregá-los”, explica.

Ou seja, o papel da escola é ensinar e educar, sobretudo por ser praticamente impossível separar as duas práticas. “Ao trabalhar o saber e o fazer em grupo, está lidando com algo ético e isso é educação, além de ensino”, completa o educador.

 

A missão das famílias

Entretanto, ao refletir sobre qual é o papel da escola, é fundamental se questionar também sobre qual a importância dos cuidadores diretos (pai e mãe ou equivalente) na educação dos filhos e filhas.  Afinal, a primeira noção de educação é recebida ainda no lar, onde a criança necessita do amor, cuidado, segurança e do acompanhamento no desenvolvimento da autonomia. 

É com a família que os pequenos aprendem e começam a exercitar valores como respeito, empatia e solidariedade. E isso acontece, normalmente, de forma sutil, quase imperceptível.  A forma como pais, mães ou cuidadores tratam funcionários, seja da própria casa ou o caixa do supermercado, é um exemplo para a criança, uma grande observadora por natureza, de como agir com o próximo. Atitudes básicas, como destinar o lixo em recipiente apropriado e respeitar as leis de trânsito, são ações que, mais do que ensinadas, precisam ser praticadas também pelos pais, mães e responsáveis pelos filhos (as) para que eles aprendam na prática como melhor conviver em sociedade.

 


Os pais devem ajudar as crianças na lição de casa?


 

Além disso, a psicóloga clínica Luana Jaqueline Gaudet destaca ainda que os adultos precisam encontrar o equilíbrio entre educar com respeito e firmeza. “Os pais/responsáveis são as principais referências de seus filhos. É de extrema importância haver equilíbrio na educação, dar limites, regras, horários dentro de casa, papéis claros e estabelecidos, mas, também, amor, carinho, diálogo, respeito e segurança. Certamente não existe receita de bolo e cada filho é diferente um do outro, mas identificando o que pode ser melhorado, e de fato, melhorar, facilita o processo!”, sugere. 

Outro ponto a se observar é que as famílias precisam ter consciência de que os filhos possuem sua própria individualidade e, sendo assim, educar é também respeitar as escolhas e os sonhos da prole. “É muito comum encontrarmos jovens que se frustram em sua escolha profissional, por exemplo, porque foi induzido a escolher um sonho que não era seu, mas do pai ou da mãe, que muitas vezes fazem isso com a melhor das boas intenções. Mas, filhas e filhos precisam sonhar seus próprios sonhos. E o papel de mães e pais é fundamental para que isso possa acontecer”, completa.

 

Parceria Escola – família

Como família e escola possuem o mesmo propósito, que é  formar adultos autônomos e capazes de coexistir em sociedade, é fundamental que atuem em sintonia, caminhando de mãos dadas.

“O conhecimento e as habilidades aprendidas na escola se somam aos valores ensinados pela família. Há muitos tipos de escola e há muitos tipos de família, havendo ainda a possibilidade de pais e mães escolherem onde matricular seus filhos. Isso não significa que cabe unicamente à família dizer o que a escola deve fazer, nem à escola dizer como a família deve ser. São espaços que se completam, inclusive, nas diferenças, e é muito saudável que assim seja”, argumenta Brogna.

O profissional lembra ainda que a parceria entre escolas e famílias está prevista no artigo I da LDB (Lei de Diretrizes e Bases): “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”.

Outro ponto destacado pela psicóloga clínica Luana Jaqueline Gaudet é a importância dos educadores no processo de aprendizagem dos alunos. De acordo com ela, as crianças e adolescentes costumam enxergar os professores como exemplos, por isso, mais do que desempenharem o importante papel de ensinar os conteúdos em sala de aula, eles também contribuem com toda a sociedade. 

“Os educadores que acompanham as crianças junto com as famílias, com o apoio da escola em um todo, contribuem direta e indiretamente na formação da personalidade e do caráter dos estudantes”, ressalta.

Além disso, a escola é também o espaço para conviver com as diferenças, tendo em vista que lá é onde os pequenos dividem suas rotinas com pessoas de culturas diversas- fundamental para desenvolver o conceito de empatia. “Assim, entendemos que o mundo é maior que nossa ‘bolha’ e que nossos costumes, crenças, valores não são os únicos. Por isso o ambiente escolar é tão importante e educa para a convivência. As famílias podem contribuir muito quando ensinam aos seus filhos, desde pequenos, que há muitos tipos de pessoas e todas são dignas de respeito”, afirma. 

Para contribuir para a formação de pessoas mais empáticas, a dica do profissional é estimular, desde cedo, o conhecimento de culturas, seja numa leitura em sala de aula ou numa viagem de férias em família. “Precisamos, para tanto, enxergar o outro, sair das bolhas de verdades absolutas, numa união entre famílias e escolas. Afinal, o mundo já tem mais de 7 bilhões de pessoas e o maior desafio da humanidade é aprender a conviver”, ressalta.


Confira 15 pontos a se avaliar quando for escolher a escola dos seus filhos


 

Escrever um comentário